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Os Estados Unidos produzem etanol de milho e é o maior produtor do mundo com a produção de 50 bilhões de litros por ano. Já o Brasil está em segundo lugar no ranking, com a produção de 23 bilhões de litros anuais a partir da cana-de-açúcar.

Ambos os países são criticados por desenvolver “certa” monocultura para a produção do biocombustível. E ainda, no caso do milho, por usar alimento para a geração de combustível. Mas as criticas são rebatidas. Apenas 20% do milho americano é destinado para a indústria sucroenergética. “Alguns estados americanos – no “corn belt” - produzem mais milho que todo o Brasil”, explica o assessor técnico para a área de cana-de-açúcar e biodiesel da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Alexandro Alves dos Santos. Não muito diferente, o Brasil usa apenas parte da plantação de cana para o processamento de etanol, a outra fração é direcionada para a produção de açúcar.

Mas a maior dificuldade em ambas está nas questões climáticas. Por mais que a tecnologia e a ciência avancem, ainda é difícil prever secas, geadas e chuvas, e como são produtos agrícolas, ambos dependem das condições climáticas para um bom desempenho.

Milho ou cana?

Muito se debate sobre as vantagens e desvantagens da produção de etanol a partir dessas duas matérias-primas. A representante na América do Norte da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Leticia Phillips, afirma que nenhum país no mundo produz etanol com a mesma eficiência obtida pelo Brasil a partir da cana. Mas, mesmo assim, ela mostra vantagens e desvantagens de ambas as produções.

Uma vantagem do etanol brasileiro é a eficiência durante o processo de produção. A cana produz mais biocombustível em uma determinada área. Cálculos da Faeg indicam que um hectare gera oito mil litros de etanol de cana. Já com o milho, no mesmo espaço, são três mil litros.

Um segundo ponto em favor da cana é que as moléculas de açúcar são menores e mais fáceis de ser quebradas. Assim, o tempo de fermentação leva entre 7 e 11 horas. “No caso do milho, é preciso ‘quebrar’ o carboidrato em açúcares para depois fazer a fermentação”, explica Leticia Phillips. O amido é uma célula grande, assim a fermentação necessita de um longo período de tempo, que varia entre 40 e 70 horas.

“O processamento do grão é realizado em duas etapas, enquanto o da cana tem apenas uma, o que faz com que o balanço energético do etanol de cana seja muito maior que o do etanol de milho”, ressalta. Assim, o custo da produção de biocombustível a partir da cana é inferior. Para cada litro de etanol brasileiro são gastos U$0,40, já o do milho é mais caro – custa U$ 0,50.

Além disso, existem outros benefícios. Segundo o assessor técnico Alexandro Alves dos Santos, a cana-de-açúcar permite a otimização do solo, já que em um hectare se produz 90 toneladas. E uma plantação no mesmo espaço territorial de milho resulta em dez toneladas do produto. No Brasil a produção média é de cerca de sete mil litros por hectare. Nos EUA, são 3,8 mil litros por hectare, em média.

E a cana é uma cultura semi-perene, por isso só precisa ser replantada a cada seis anos, o que ajuda na conservação do solo. Diferentemente do grão, que é replantado anualmente.

Os subprodutos da cana também têm um maior valor agregado em comparação aos do milho. “A fertilização do solo da lavoura é realizada com os resíduos do processo de industrialização, como a torta de filtro e a vinhaça”, explica a representante na América do Norte da Unica. Os resíduos do etanol de milho são aproveitados na fabricação de ração animal (Distilled Dried Grains with Solubles -DDGS) e óleo.

O assessor técnico da Faeg destaca a vantagem ambiental no uso do etanol brasileiro. Durante o manejo na lavoura local para a produção de oito unidades de etanol são gastos apenas uma de combustível fóssil. Diferentemente do milho, no qual essa proporção é de 9,2. “O ciclo de vida da cana-de-açúcar ajuda a combater as emissões de gases que causam o efeito estufa quase cinco vezes mais que o milho”, enfatiza Leticia Phillips. Por esse motivo, o etanol de cana é considerado limpo e ecologicamente correto.

Desvantagens

Mas o etanol brasileiro também tem desvantagens em relação ao americano. Para se mensurar, uma tonelada de cana rende 90 litros do biocombustível. A mesma quantidade de milho rende 400 litros, o que representa mais de 344%.

Outra desvantagem do etanol da cana é relacionada à estocagem. O processamento da cana tem que ocorrer no prazo máximo de 24 horas após a colheita, portanto os canaviais precisam ser próximos das usinas. Diferentemente, o milho não precisa ser processado logo após ser colhido. Ele pode ser estocado e, depois, processado.

Devido a essa facilidade, algumas usinas brasileiras no Mato Grosso estão produzindo também o etanol de milho no período de entressafra. Segundo o Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras do Estado de Mato Grosso (Sindalcool/ MT) uma usina se tornou flex – isso é, produz etanol de cana e de milho.

Na primeira operação foram processados mais de 85 mil toneladas do grão e gerados seis milhões de litros de etanol. A usina começou a moer o milho após o estado atingir uma super-safra, o que derrubou os preços do grão. Na época, o frete era o dobro do valor do produto, que chegou a ser vendido por R$ 7 a saca.

Ajuda mútua

Mesmo com o uso de tecnologias diferentes existe uma cooperação técnica oriunda do Memorando de Entendimento sobre Bicombustíveis, assinado em 2007, pelos então presidentes Bush e Lula. Mais recentemente, em 2011, os presidentes Dilma e Obama expandiram essa cooperação para a área de bicombustíveis de aviação.

Para permitir a troca de tecnologias, a GE abre no Brasil seu quinto Centro de Pesquisas Global. Segundo a líder da área de Sistemas de Bioenergia do Centro de Pesquisas Global da GE no Brasil, Suzana Domingues, o local terá como objetivo principal otimizar os processos de produção do etanol. “Podemos trazer todo o nosso background das nossas unidades em várias partes do mundo, inclusive nos Estados Unidos”, ressalta.

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Data de Publicação: 24/06/2014 às 13:50hs
Fonte: Canal-Jornal da Bioenergia
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