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Com janela curta do milho, pecuaristas usam sorgo como alternativa barata para garantir volumoso

Em muitas regiões do PR e também do MS, a semeadura da safra de verão (soja) atrasou por questões climáticas e isso encurtou a janela de plantio do milho segunda-safra, parte dele usado pelos produtores para produção de silagem ou uso in natura (picado) nos cochos.

E mesmo quem espera obter o milho em tempo hábil (sem sofrer efeitos das primeiras geadas) está pensando duas vezes antes de derrubar a planta toda para dar de comer aos bovinos. Boa parte prefere colher e vender o grão, cujo preço permaneceu em alta nos últimos meses (apesar de ligeira queda nos últimos dias). A saca de 60 kg, que valia R$ 30,50 em 03 de outubro do ano passado, foi comercializada a R$ 40,00 no dia 03 de fevereiro na região de Cascavel (cotações Coopavel). Uma valorização de 31% em quatro meses.

Um termômetro disso é a procura pelo sorgo gigante Agri002E da AgricomSeeds, multinacional sul-americana de produção de sementes de cereais, que estreou em 2020 no Show Rural. O serviço de atendimento no estande identificou uma verdadeira corrida pelo material que é rústico, de forte enraizamento e de alto poder de produção de massa verde (até 120 t/ha no primeiro corte). No segundo corte (que pode render até 50 t/ha de massa verde) a planta ainda dá a opção de ser usada como adubo verde, fornecendo matéria orgânica no solo e palhada para o plantio direto.

Dono do Sítio São José em Maria Helena, PR (próximo a Umuarama), o produtor Guilherme Rechick, decidiu: “Vou partir para o sorgo”. Ele fez os cálculos e entendeu que utilizar a planta hoje compensa mais do que o milho enquanto principal fonte de matéria prima para produção de silagem. “O custo de produção é bem inferior ao do milho, algo entre R$ 500/ha e R$700/ha de diferença”. Rechick está adquirindo sementes do sorgo gigante para o plantio de até 24 hectares. “O leite não está tão valorizado e preciso diminuir custos”, justifica.

Gilmar Rustich, que é dono do Sítio Silva Jardim, em Medianeira, PR, não conhecia o sorgo gigante boliviano, mas vai começar a cultivá-lo. “Ele é espantoso. Ainda não vi ninguém plantando na região, e por isso estou levando uma quantidade para experimentar. No entanto, certamente vou procurar a minha cooperativa (LAR) para comprar um volume maior”, garante.

E por falar em fornecimento, esta é a estratégia do produtor e sementeiro Gilberto Coldebella, de Laranjeiras do Sul, PR. Ele não conhecia o sorgo gigante, mas já fez pedido de sementes. “Adquiri alguns pacotes, pois pretendo vender para a produção de silagem na região. Particularmente nunca havia visto tanto poder de produção em um sorgo”, observa.

Repetindo a dose

Proprietário do Sítio São Sebastião, em Janiópolis, PR (região de Campo Mourão, PR) o pecuarista Adriano Menão usou o sorgo na safra anterior e vai repetir a dose. Em 2019 ele plantou fora da janela – março. Vinha fornecendo in natura para sua vacada de leite até que a planta pegou a primeira geada. Ele conta que neste momento obteve boa matéria seca ensilando junto com o milho. O “sorgo gigante me ajudou a aumentar em 10% a minha produção de leite”, afirma. Para repetir o consórcio, Menão adquiriu no Show Rural sacos de dois sorgos da AgricomSeeds (Agri 002E e Agri001E) e do milho Agri320.

Já o produtor rural e presidente da Comunidade do Palmital, em Quedas do Iguaçu, PR, Angelino Toebe, decidiu apostar em outra funcionalidade para o sorgo gigante: a produção de cobertura verde. “Eu conheci, gostei e comprei. Vou plantar 2,5 hectares para fazer palhada. Minha ideia é posteriormente cultivar soja ou feijão”, revela.

Nome popular

O Agri002E ganhou popularmente a denominação de ”sorgo gigante boliviano” em função de seu porte (atinge alturas superiores a cinco metros) e pelo fato de suas sementes serem multiplicadas pela AgricomSeeds em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. No Brasil, o “sorgão” e demais híbridos do portfólio da empresa são comercializados pela Latina Sementes.

O sorgo Agri 002E começou a ser distribuído no Brasil ao final de 2017. As projeções são de que a extensão de plantio comercial chegue a 120 mil hectares (ha) no ciclo 2020/2021 e pule para 250 mil ha na safra 2021/2022. A versatilidade (material multiuso – silagem, recondicionar de solos, formador de palhada e gerador de bioenergia) e o baixo custo de produção são pontos altos do material. Há relatos de cultivos do “sorgão” no Brasil cuja silagem obtida saiu a um custo entre R$ 0,04 e R$ 0,05 o kg (entre R$ 40 e R$ 50 a tonelada). “Em Goiás, o preço de referência para a tonelada pronta de silagem – incluindo plantio, pulverização, colheita, trator e lona – vem variando entre R$ 28 e R$ 42”, garante o diretor da Latina Sementes, Willian Sawa.

Data de Publicação: 07/02/2020 às 13:50hs
Fonte: Ariosto Mesquita
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