Publicado em: 11/05/2018 às 16:40hs
Desta vez, a redução é nos spreads de risco, que cobrem eventuais perdas do banco por inadimplência dos clientes. "O banco tem tido preocupação de reduzir seus custos", disse o presidente do BNDES, Dyogo de Oliveira, em um encontro com jornalistas nesta terça pela manhã, do qual participaram cinco diretores da instituição de fomento.
BNDESPar - Dyogo afirmou ainda que a BNDESPar, braço de participações acionárias do banco, deve vender um montante superior a R$ 10 bilhões em ações este ano. Esse valor não considera os valores recebidos pela BNDESPar este ano na transação Fibria - Suzano, no total de R$ 8,5 bilhões. Ele não deu detalhes sobre quais empresas da carteira poderão ter participações acionárias vendidas no mercado, mas a estratégia é se desfazer de empresas que, na visão do banco, estão mais "maduras" em sua carteira.
Infraestrutura - O banco passará também a atuar de forma mais "proativa" na elaboração de projetos de infraestrutura, segmento em que o banco tem carteira potencial de R$ 54 bilhões para este ano. O presidente do BNDES disse que o spread de risco para as operações de crédito diretas será reduzido em percentuais que vão de 25% a 50%, dependendo do rating da empresa no banco.
Operações indiretas - Nas operações indiretas, via agentes financeiros, a taxa de intermediação financeira cobrada pelo banco cai de 0,23% ao ano para 0,15% ao ano, disse Dyogo. Ele também anunciou que no caso das operações com fiança bancária a taxa de intermediação financeira é reduzida de 0,4% ao ano para 0,25% ao ano. As reduções nos spreads de risco seriam aprovadas ontem pela diretoria do BNDES.
Melhorias - Dyogo informou que queda nos spreads de risco do banco reflete uma melhoria nos níveis de inadimplência na economia. A redução dos spreads de risco também se relaciona com a tentativa do banco de se tornar mais competitivo, segundo reconheceu Dyogo. "O BNDES busca ser mais eficiente, ter custo mais baixo e oferecer uma taxa final para o cliente também mais competitiva", afirmou. O custo das linhas do banco é formado pela taxa básica (Taxa de Longo Prazo), mais o spread básico, que já foi reduzido este ano, mais o spread de risco.
Classificação de risco - O tamanho da redução dos spreads de risco dependerá da classificação de risco das empresas no BNDES. Quanto melhor a nota de crédito, menor o custo, e vice-versa. Dyogo avaliou, porém que trata-se de uma redução "expressiva" dos spreads de risco do banco.
Revisão de metodologias - Segundo o presidente do BNDES, a decisão de reduzir os spreads de risco resulta de uma revisão das metodologias de análise de risco e crédito. "A principal mudança aqui é na incorporação da probabilidade de recuperação do crédito", afirmou. Na visão de fontes no mercado, em um cenário de redução de juros, o BNDES ainda tinha "gordura" para cortar no que se refere aos spreads de risco. "Antes o BNDES tinha uma folga [spreads maiores], mas hoje o mercado de crédito é mais competitivo, então o BNDES é obrigado a se ajustar", disse uma fonte do mercado financeiro.
Diagnóstico - Com relação ao apoio à area de infraestrutura, Dyogo disse que o diagnóstico, segundo ele, é que faltam projetos de engenharia para desenvolver bons projetos de infraestrutura no Brasil. O que acontece muitas vezes no BNDES, segundo Dyogo, é que um empreendimento é apresentado para ser financiado, mas o projeto de engenharia não está suficientemente maduro, o que leva a uma demora maior na tramitação dentro do BNDES.
Facilidade - "Estruturar projetos é uma 'facility' que o banco vai oferecer, hoje não tem ninguém oferecendo este tipo de serviço [no governo]." Uma vez que a União, Estados e municípios definam projetos prioritários, o banco vai se oferecer para atuar e transformar uma ideia em projeto. De acordo com ele, o banco vai fazer os estudos, elaborar a parte financeira. Já parte de engenharia, e jurídica, o banco poderá contratar terceiros para auxiliá-lo.
Rapidez - Informou ainda que a proposta é ter conhecimento dos projetos, o que resultará em maior rapidez na tramitação dentro do banco. Segundo Dyogo, haverá mais qualidade nos projetos e agilidade na aprovação. "O Brasil precisa de projetos de qualidade para financiar. O banco quer ter projeto para financiar, então faz sentido desenvolver os projetos que quer financiar, conhecer melhor e financiar com mais segurança", avaliou.
Fonte: Portal Paraná Cooperativo
◄ Leia outras notícias