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O custo de produção chega a R$ 7.889,56 no estado, em média, puxados pelas despesas com insumos diante o câmbio elevado. Não bastasse apenas isso, a apreensão com o clima é outro fator que “tira o sono” dos cotonicultores mato-grossenses, uma vez que em torno de 76% do ciclo de algodão é de segunda safra e a colheita da soja ainda está iniciando.

Um lado bom da valorização do dólar frente ao real, segundo o presidente da Associação Mato-grossense de Produtores de Algodão (Ampa), Gustavo Piccoli, foi quanto às exportações. Ele comenta, em entrevista ao Agro Olhar, que tal fato permitiu que o excedente da produção de pluma fosse exportado com preços mais atrativos.

As perspectivas para 2016 são de um ano de incertezas tanto no cenário político quanto econômico.

Confira entrevista com o presidente da Ampa, Gustavo Piccoli:

Agro Olhar - Quais são as perspectivas para a safra 2015/2016 na produção de algodão? O crescimento de área e produção podem se concretizar?

Gustavo Piccoli - De acordo com as últimas consultas, feitas aos associados da Ampa, no final de 2015, a área de plantio na safra 2015/16 poderá sofrer ligeiro aumento (5,3%), podendo chegar a 593,6 mil ha, sendo 115,7 ha de primeira safra e 477,8 ha de segunda safra. Porém, o clima não tem sido favorável ao cultivo da soja e isso afeta o plantio de segunda safra, por isso, só na próxima semana, após novas consultas, teremos um quadro mais atualizado.

A soja foi castigada pela falta de chuvas no período de plantio. Como está sendo para o algodão, uma vez que a primeira safra da cultura começou em dezembro?

Hoje, a maior parte da produção algodoeira em Mato Grosso advém do plantio na modalidade de segunda safra e nós, produtores, estamos apenas iniciando a colheita da soja. O plantio de algodão segunda safra no estado ainda está tímido. Quanto ao plantio do algodão safra, está sendo finalizado em alguns núcleos regionais e os relatos vindos do campo indicam que as plantas estão com bom desenvolvimento.

Como estão os preços do algodão hoje? Eles estão remunerando o produtor perante o custo de produção?

A produção de algodão tem custos dos mais elevados em comparação com as demais commodities agrícolas. Em 2015, a elevação do câmbio acabou favorecendo os produtores na comercialização da safra 2014/15; por outro lado, ela impacta negativamente no momento da aquisição de insumos para o plantio da safra 2015/16. Nossa margem de lucro se mantém extremamente apertada. Além do fator câmbio, é preciso levar em conta que as cotações, que vêm se mantendo em US$ 0,63 libra/peso há mais de um ano, apresentaram queda de 20% nos últimos 24 meses.

As exportações em 2015 de algodão apresentaram um "leve" crescimento de 0,88% nas negociações em relação a 2014, segundo o MDIC. O que proporcionou esse crescimento?

A valorização do dólar frente à moeda brasileira permitiu que o excedente da produção de pluma brasileira fosse exportado a preços mais atrativos.

Como está a demanda do mercado externo? E o interno?

De acordo com a Declaração Final da 74ª Reunião Plenária do Conselho Consultivo Internacional do Algodão (Icac na sigla em inglês), realizado em dezembro, em Mumbai, na Índia, as perspectivas para a demanda por algodão em termos mundiais continua crescendo numa taxa baixa como resultado do lento crescimento da economia mundial e da forte concorrência com as fibras sintéticas, especialmente com o poliéster. Embora o Icac aponte para uma produção global abaixo do consumo na safra 2015/16 (produção de 23,15 milhões t e consumo estimado em 24,36 milhões t), os estoques mundiais continuam altos (entre 22,02 milhões t e 20,81 milhões t, considerando os estoques iniciais e finais) e os preços internacionais se mantém fracos. Diante desse cenário, o Brasil (e Mato Grosso, como maior produtor de pluma do país) mantém sua posição firme junto aos compradores internacionais e continua investindo na realização de missões internacionais para ampliar e consolidar nossa fatia de mercado. Quanto ao mercado interno, acredito que 2016 ainda será um ano de muitas incertezas no cenário político e econômico.

Mato Grosso detém cerca de 55% da produção nacional de algodão em pluma. Nossa produção de pluma nas últimas safras varia entre 900 mil toneladas e 1 milhão de toneladas. Essa produção poderia ser maior se tivéssemos industrialização no estado (fábricas de fios, tecidos, etc)?

Com certeza. A cotonicultura mato-grossense tem condições de ampliar sua produção e vem investindo na qualidade da fibra do algodão para consolidar sua posição no mercado internacional. Mas, se hoje destinamos cerca de 60% da produção ao mercado externo (com destaque, para os países asiáticos), isso se dá em virtude da retração da indústria têxtil nacional. A instalação de mais fábricas de fios em Mato Grosso e também de indústrias de tecelagem certamente favoreceria o setor produtivo, que tem condições de atender a eventuais novas demandas por matéria-prima de qualidade, mas isso não depende de nós produtores.

O setor tem conversado com o governo de Mato Grosso quanto à industrialização para agregar valores?

Sim. A Ampa tem mantido diálogo constante com o Governo Pedro Taques no sentido de ampliar a participação do setor algodoeiro na economia de Mato Grosso. A atual administração tem demonstrado publicamente sua disposição em atrair indústrias para o estado, o que vem ao encontro dos interesses dos produtores.

Que tipo de pesquisas o setor algodoeiro tem desenvolvido em Mato Grosso?

O Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt) mantém seu foco, por meio do Programa de Melhoramento, no desenvolvimento de novas variedades com resistência a doenças e nematoides, e trabalha com a introgressão de diversos traits visando conferir resistência a herbicidas e insetos-praga. A se destacar ainda o trabalho voltado para a melhoria da qualidade de nosso produto através do Programa da Qualidade da Fibra do Algodão de Mato Grosso. Em parceria com outras instituições de pesquisa, o IMAmt desenvolve um trabalho inédito no levantamento de nematoides nos solos de todos os núcleos regionais de produção algodoeira, visando identificar medidas para minimizar o problema que afeta o sistema produtivo adotado em Mato Grosso. Outro trabalho de destaque é o levantamento de plantas daninhas resistentes a herbicidas em áreas algodoeiras de Mato Grosso, responsável pela identificação do Amaranthus palmeri em áreas cultivadas com rotação de culturas de algodão, soja e milho. Além disso, pesquisadores do IMAmt estão focados nas ações de controle das principais pragas que afetam a cultura algodoeira como lagartas, percevejos, mosca-branca e, principalmente o bicudo. É feito um monitoramento da pressão de mariposas e bicudos por meio do Sistema de Alerta de Pragas Emergentes (SAP-e Mariposas e SAP-e Bicudo), com a instalação de armadilhas nas lavouras, leitura semanal e envio das informações sobre a quantidade de insetos capturados aos associados da Ampa, acompanhado de comentários dos entomologistas do IMAmt. Vale destacar a criação em 2015 de Grupos Técnicos do Algodão (GTAs) em várias regiões produtoras como uma estratégia do projeto Controle Efetivo do Bicudo.

Há pesquisas de algodão "colorido" no país. Há algum tipo de pesquisa quanto a isso em Mato Grosso? Quais as vantagens e desvantagens desta variedade?

Não, o cultivo do algodão colorido só é viável em pequenas áreas (agricultura familiar), o que não corresponde à realidade da cotonicultura mato-grossense, de grande escala.

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