Olá, Visitante Entre Cadastre-se EAD

Portal do Agronegócio

Utilização do ácido aminolevulínico na produção intensiva de peixes

A tendência atual de intensificação dos sistemas de produção de peixes, visando maior produção e lucro por área, propicia o aparecimento de doenças nestes animais. Isto ocorre principalmente em função da deterioração da qualidade da água como consequência da superlotação, comprometendo diretamente a saúde dos animais. Esta condição de criação exige dos profissionais da aquicultura, maior conhecimento do sistema fisiológico dos peixes (como a melhora da resposta imune e da nutrição), a fim de minimizar os efeitos nocivos, inerentes deste sistema de produção. (Barros et al., 2006).

Na aquicultura, contaminações e variações de temperatura da água são frequentes e a adaptação a esta situação faz parte da fisiologia dos peixes. Porém, a intensificação da produção torna essas variações fator crítico relacionado ao estresse, com consequente supressão do sistema imune. Ao deparar com o agente estressor, os peixes são capazes de acionar diversos ajustes nos vários níveis de organização biológica, como forma de minimizar os efeitos orgânicos impostos e manter, assim, suas funções biológicas. Ao perceber alterações ambientais, o animal desencadeia ajustes, começando normalmente com mudança de comportamento e depois alterações fisiológicas.

O uso de estratégias nutricionais que favoreça o mecanismo de defesa dos peixes tem demonstrado grande importância para a obtenção de peixes saudáveis. Os animais resultantes desta técnica se tornam mais capazes em reagir ao impacto de alterações ambientais e ataque de agentes oportunistas, isto com maiores chances de sobrevivência

São consideradas estratégias nutricionais o uso de nutrientes e compostos em quantidades adequadas que possam permitir o crescimento desejado com melhores condições de higidez e que minimizam os efeitos causados pelo estresse. (Barros et al., 2009).

O desafio de estresse nas criações de peixes está influenciado por vários fatores, como a alta densidade de animais dentro das piscinas, a mudança da temperatura, salinidade, o pH da água, os contaminantes produzidos pelos mesmos peixes.

O estresse provoca uma queda na produção de células de defensa do organismo, potencializando a morbilidade e mortalidade do lote. Com isso, todos os nutrientes que o animal consome ficam voltados a atenderem suas necessidades fisiológicas, não tendo assim crescimento ou aumento de massa corpórea.

Portanto, a suplementação de peixes com substâncias que diminuam os efeitos causados pelo estresse consequente das adversidades provocadas pelo organismo, é recomendada em todas as etapas da piscicultura e da carcinocultura. Uma substância que tem tido efeitos bastante desejáveis é a adição do ácido aminolevulínico, o ALA.

O ácido aminolevulínico é um aminoácido encontrado normalmente nos organismos dos animais e participa na formação da proteína HEME, formadora de hemoglobinas, mioglobinas e do citocromo P-450.

Funções do ALA:

Estudos recentes sugerem que a utilização de ácido aminolevulínico (ALA) para peixes afeta as síntesesdo heme e, subsequentemente, melhora a oxigenação dos tecidos, a resposta imune, a concentração de hemoglobina e outros componentes como a concentração de ferro.

1) Formação de hemoglobina e mioglobina


Estudos demonstram que o ALA é sintetizado a partir da condensação de glicina e do succinil COA e é o precursor do grupo Heme. Depois de várias reações, o ALA é transformado em protoposphyrim IX. Subsequentemente um átomo de Ferro é inserido dentro do anel de protoposphyrim, para que finalmente seja formado o heme.O heme é sintetizado em todas as células nucleadas,sua síntese ocorre nas mitocôndrias e parte no citoplasma, sendo que a maior quantidade é produzida pelo tecido eritróide (glóbulos vermelhos), sendo que o segundo órgão que produz o heme é o fígado. O heme funciona como grupamento prostético de várias proteínas, e sua função é determinada pela proteína ligada a ele. Ligado à hemoglobina, o heme é utilizado para transporte e armazenamento de oxigênio, respectivamente, enquanto que em citocromos ele está envolvido no transporte de elétrons, geração de energia e transformação química. Nas catalases e peroxidases, o heme atua na inativação do peróxido de hidrogênio, evitando assim a oxidação e danos da célula. Além disso, o heme é indispensável em outros sistemas enzimáticos, incluindo ciclooxigenase (COX) e óxido nítrico sintase (NOS), sendo enzimas fundamentais para o bom funcionamento do sistema imunológico da célula. O heme também é importante no controle da expressão de várias proteínas, na biossíntese do próprio heme, mieloperoxidase, heme oxigenase-1 e receptor de transferrina (Anderson et al., 2009).

O ácido aminolevulínico fornecido tem como finalidade a produção do grupamento Heme e potencializa a utilização do Ferro depositado nas células do fígado e intestino na forma de Ferritina.

Quanto mais HEME o animal produzir a partir da suplementação de ALA, mais hemoglobina/mioglobina terá e consequentemente mais oxigênio transportará e assim além de ter maior pigmentação de seus tecidos, terá mais oxigênio disponível para a formação de ATP durante o ciclo de Krebs e consequentemente terá mais energia disponível para a sua produção.

2) Formação do Citocromo p450:

O equilíbrio do ecossistema está diariamente correndo risco de ser abalado por contaminantes químicos. Compostos químicos sintéticos são constantemente utilizados na indústria e agricultura, e milhões de toneladas  são liberados de maneira intencional ou não no meio ambiente, eventualmente distribuem estes componentes químicos, depositando-os nos sistemas aquáticos. Estes compostos tóxicos são chamados de xenobióticos.

Devido sua lipofilicidade, os xenobióticos têm alto grau de absorção nas brânquias, um fator que contribui na sensibilidade dos peixes à exposição destos compostos químicos

Um dos principais sistemas enzimáticos do organismo, que atua sobre xenobióticos é o citocromo P450, formado a partir do grupo heme que é sintetizado pelo ALA.

O Citocromo p450 localiza-se no retículo endoplasmático liso, mitocôndrias e outras membranas. Ele participa no metabolismo do xenobiótico, ocorrendo uma biotransformação e posteriormente eliminação da toxina (Honkakoski et al 2006).

A biotransformação inclui numerosos sistemas enzimáticos, os quais atuam em diversos tipos de substratos. Muitas destas enzimas têm em comum a função de converter estruturas tóxicas para menos tóxicas e converter químicos lipofílicos em estruturas hidrofílicas e, consequentemente, rapidamente excretadas.

O metabolismo oxidativo envolvendo oxigênio molecular é o processo enzimático inicial na biotransformação da maioria dos compostos orgânicos lipofílicos (reações de fase I). Os principais grupos de enzimas envolvidos nesta etapa da biotransformação de xenobióticos são as monooxigenases flavoproteínas (FMO) e as monooxigenases heme proteínas (citocromo P450). Ambos os grupos são expressos em vertebrados aquáticos e invertebrados(Kaku. et al 2009).

Pensando nessa nova tendência de mercado, a Biogenic Group trouxe ao Brasil, com exclusividade, um produto com essas características de suplementação, o Geno Ala.

Geno Ala é um produto formado por uma mistura de aminoácidos que favorecem, além do crescimento muscular dos animais, o aumento de imunidade e a melhora de condições para o uso da energia de produção; principalmente durante uma situação de estresse onde os animais têm seu sistema imune diminuído e tem sua energia voltada apenas para a energia de mantença (Honkakoski et al 2006).

Portanto, é um produto que contém a composição necessária e específica para o crescimento e fortalecimento de peixes e camarões.

Bibliografia:

  • Anderson J, Frazer DM, McLaren GD. Iron absorption and metabolism. CurrOpinGastroenterol. 2009; 25:129-35.
  • Barros, M.M., L.E. Pezzato, D.R. Falcon, and I.G. Guimarães. 2006. Nutrição e saúde de peixes. Palestra Técnica do Congresso Latino-Americano de Nutrição Animal p.1-15.
  • Barros, M.M.; M.J.T. Ranzani-Paiva, L.E. Pezzato, D.R. Falcon, and I.G. Guimarães. 2009. Hematological response and growth performance of nile tilapia fed diets containing folic acid. Aquaculture Research 40:895-903.
  • HONKAKOSKI, P. & NEGHISHI, M. The structure, function and regulation of cytochrome P450 2A enzymes. Drug Metab. Rev., 29: 977-996, 2006.

Gonzalo Lora Graña : mestre em Produção e Nutrição de Monogástricos (aves e suínos), gerente de Suporte Técnico da Biogenic
 Maria Thereza Bartolomei : médica veterinária, responsável técnica da Biogenic

Imprensa:
Enviar matéria

Data de Publicação: 00/00/0000 às 00:00hs
Fonte: Biogenic
Leia outros artigos
Portal do Agronegócio Desenvolvido por: