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Pequi: produtores do Norte de Minas investem no fruto e derivados

A produção de pequi, após três anos de seca e perdas significativas nas safras, deve voltar a apresentar resultados positivos em 2018. Considerado um dos frutos mais importantes do Cerrado e da Caatinga, o pequi é fonte de renda para muitas famílias. Em Japonvar, no Norte de Minas Gerais, cerca de 250 famílias tem como principal fonte de renda a venda dos frutos e dos produtos à base de pequi, que é colhido de forma extrativista. Nesta safra, que vai do final de dezembro a março, a produção na região do entorno de Japonvar deve somar 500 toneladas do fruto.

De acordo com o responsável pela Cooperativa dos Produtores Rurais e Catadores de Pequi de Japonvar (Cooperjap), Josué Barbosa de Araújo, os desafios na produção de pequi são muitos. Nos últimos três anos as safras de pequi foram muito prejudicadas pela estiagem severa e pela infestação dos pequizeiros com pragas. A estiagem chegou a causar a morte das árvores, reduzindo a fonte de renda das famílias.

“No ano passado conseguimos colher apenas 200 toneladas de pequi, foi uma perda muito grande em decorrência da seca e de pragas que atacaram o pequizeiro e reduziram a produtividade. Este ano, nossa expectativa é positiva e acreditamos que a safra possa alcançar 500 toneladas”.

Outro problema enfrentado pelas famílias catadoras de pequi foi o fechamento da Cooperja, em decorrência do endividamento. Segundo Araújo, a expectativa é retomar as atividades da cooperativa ainda neste ano. A dívida com o governo do Estado foi renegociada e quitada. Atualmente, os produtores estão se organizando para eleger a diretoria e reabrir a entidade.

Para Araújo, a reabertura da cooperativa é fundamental para a geração de renda na região. Através da cooperativa, os catadores de pequi conseguem agregar valor ao fruto, com a produção de derivados, como óleo, polpa, farinha, paçoca e outros produtos à base de pequi. A industrialização do fruto permite também a comercialização por um período mais longo.

“Hoje estamos precisando de capital de giro para a cooperativa. Estamos providenciando a nova diretoria para ter novos recursos e trabalhar com o pequi. A atividade é a principal geradora de renda para as famílias envolvidas. Hoje, são cerca de 250 famílias que catam o pequi. Nosso foco é reabrir a cooperativa para agregar valor à produção”, explicou.

A safra do pequi começa no final de dezembro e vai até março. O fruto é apanhado depois de cair no chão, normalmente, de madrugada e pela manhã. Como o fruto é nativo, ele é catado no chão pelos moradores de maneira extrativista. Os frutos e produtos são comercializados na região, no Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Goiás e Belo Horizonte.

Fomento

Devido à grande importância social e econômica, o governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agrário, lançou neste ano dois editais para fomentar a produção de pequi. Ao todo, os recursos destinados somam R$ 850 mil. Para o próximo ano, o objetivo é manter os investimentos para estimular a agregação de valor e a produção. O valor previsto para 2018 varia entre R$ 700 mil e R$ 800 mil.

De acordo com o presidente do Conselho Pró-Pequi e secretário adjunto de Desenvolvimento Agrário, Alexandre Chumbinho, os editais lançados neste ano contemplavam a compra de equipamentos e de matéria prima.

“Nosso objetivo é agregar valor à produção. O primeiro edital, no valor de R$ 350 mil, previa a aquisição de equipamentos agroindustriais. Já no segundo, com valor de R$ 500 mil, a entidade beneficiada poderá adquirir equipamentos e materiais importantes para a produção, como embalagens e etiquetas, por exemplo”.

Dentre os trabalhos voltados para o setor, o Conselho Pró-Pequi vem estudando formas de preservar a sustentabilidade da produção. Chumbinho explica que por ser uma atividade extrativista, a produção de pequi está sendo ameaçada pela forma incorreta de extração dos frutos. Isto porque a comercialização do pequi tem sido feita de forma antecipada à safra, o que estimula a retirada dos frutos direto da árvore, prejudicando as gemas e comprometendo a capacidade produtiva para o próximo ano. O correto é recolher os frutos que caem no chão.

“Com o apoio de várias entidades, estamos elaborando um plano para regulamentar a coleta do fruto do chão. No âmbito da defesa de mercado, para evitar a pressão de compras antecipadas do fruto, estamos investindo na agregação de valor”, disse.

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Data de Publicação: 30/11/2017 às 13:40hs
Fonte: Diário do Comércio
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