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Comissão de Pecuária de Corte da FAEMG debate crise do setor

A grave situação da maior parte dos frigoríficos brasileiros, por causa das operações Carne Fraca e Carne Fria, delação da JBS e o embargo da exportação para os EUA, foi um dos temas da reunião da Comissão Técnica de Pecuária de Corte da FAEMG, que contou com a participação do presidente da Comissão Nacional da Bovinocultura de Corte da CNA, Antônio Pitangui de Salvo. Depois de analisar o setor no Brasil, ele citou a queda dos preços da arroba nos últimos meses, e recomendou campanhas publicitárias, inclusive no exterior.

É preciso melhorar a imagem do Brasil, com trabalho intenso nas feiras internacionais, porque quanto mais o país cresce e melhora sua produção, fica mais competitivo e vira alvo de outros países produtores. Por isso, precisamos levar a realidade da produção brasileira de carne bovina para o exterior.

Para o presidente da Comissão Técnica de Pecuária de Corte da FAEMG, Ricardo Laughton, o investimento na imagem é importante para que o problema em algum elo da cadeia produtiva, que é exceção, não seja enxergado como regra pelos consumidores e compradores externos: “Precisamos mostrar a qualidade da carne, que é bastante representativa para a nossa economia. O Brasil é o maior exportador de carne do mundo e temos condições para nos manter nessa posição”. Na reunião também foram discutidas ações para o fortalecimento dos pequenos e médios frigoríficos e levantadas questões tributárias que prejudicam a cadeia produtiva.

FEBRE AFTOSA

Com o intuito de reforçar a importância da vacinação contra febre aftosa na pecuária de corte nacional, e solicitar medidas para solução das reações adversas causadas pela vacina, que geram prejuízos em toda a cadeia da carne bovina brasileira, a Comissão Nacional de Pecuária de Corte divulgou uma nota recomendando algumas medidas à indústria farmacêutica.

O presidente da Comissão de Pecuária de Corte da FAEMG, Ricardo Laughton, explica que reações locais, alérgicas e de hipersensibilidade podem ocorrer com qualquer produto injetável, principalmente as vacinas. Entretanto, a intensidade varia de acordo com o tipo de produto e a dose administrada. "No abate, toda e qualquer reação à vacina, quando identificada, é removida, preservando a inocuidade dos produtos destinados ao consumo. Entretanto, a ocorrência de, por exemplo, abcessos e hematomas após o uso da vacina oleosa contra a aftosa deve ser evitada, pois implica em lesões inflamatórias de varias formas, pesos e tamanhos, o que gera muito prejuízo ao pecuarista, já que ele não receberá pela carne não comercializada pelos frigoríficos", diz.

Estimativas indicam que o produtor perde, em média, 2kg de carne nas carcaças dos animais abatidos devido às lesões pela vacinação. "O produtor que já tem o custo com a compra da vacina também é prejudicado por não receber pela carne desprezada", explica Laughton, que também ocupa o posto de presidente do Sindicato Rural de Montes Claros.

De acordo com Ricardo, o pedido feito pela Comissão Nacional por meio da nota técnica visa não só reduzir os prejuízos causados pelo descarte da carne condenada durante o abate, mas também prezar pela imagem da pecuária nacional junto aos consumidores, e até mesmo embargos de importantes países importadores do produto. "A solicitação é para que a Saponina seja retirada, imediatamente, da atual composição da vacina contra febre aftosa. Também foi pedido que se reduza o volume da dose, de cinco para dois mililitros, o mais rápido possível. Além disso, a nota técnica recomenda a aplicação da vacina exclusivamente por via subcutânea", esclarece.

A nota técnica, elaborada pela Superintendência Técnica da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), também estima que podem ser perdidas milhares de toneladas de carne por causa das reações adversas da vacina. "Considerando que em 2016 o abate nacional foi de aproximadamente 30 milhões de cabeças, somente ano passado, cerca de 70 mil toneladas de carne foram descartadas", revela Laughton. "Essas recomendações devem ser seguidas o mais rápido possível, para impedir que a crise iniciada pelo escândalo tratado na Operação Carne Fraca se intensifique ainda mais", finaliza o ruralista.

De acordo com a nota, a Saponina, substância que a Comissão deseja que seja retirada da composição da vacina, foi adicionada ao medicamento com o intuito de antecipar a data de avaliação da potência da vacina. Este teste deveria ser feito 56 dias depois da primo-vacinação, mas possivelmente por razões econômicas, a indústria desejou antecipar esta avaliação para 28 dias.

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Data de Publicação: 17/07/2017 às 18:40hs
Fonte: Gazeta Norte Mineira
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