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BOI/RETRO 2017: Um ano para esquecer e para aprender

O setor pecuário já esperava um ano de dificuldades, sobretudo relacionadas às vendas internas – que poderiam se enfraquecer diante do contexto político e econômico nacional – e à maior oferta de animais, resultado de investimentos em anos recentes. No entanto, agentes do mercado não imaginavam que desafios ainda maiores seriam enfrentados pela pecuária nacional em 2017. No balanço, foi um ano para ser esquecido, mas também para o setor levar como aprendizado, conforme indicam pesquisadores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.

MÉDIAS ANUAIS CAEM – Os acontecimentos referentes à cadeia agroindustrial da carne bovina brasileira se somaram às dificuldades que já vinham sendo enfrentadas pelo setor, impactando diretamente sobre os valores da arroba e da carne. Com isso, os preços do boi gordo, da carne e também do bezerro caíram em boa parte do ano, com certa recuperação sendo verificada no último quadrimestre. Segundo pesquisadores do Cepea, esse fôlego no final do ano mostrou a capacidade de reorganização e de resposta da cadeia aos problemas enfrentados, o que pode indicar o desenvolvimento do setor.

Em 2017, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa do boi gordo se manteve abaixo do de 2016 em praticamente todo o ano e inferior ao de 2015 em boa parte do período. A média do Indicador em 2017, de R$ 138,80, foi 9,22% inferior à de todo o ano de 2016, em termos nominais – em termos reais (considerando-se a inflação do período), a queda ainda é mais intensa, de 10%. A maior média mensal do Indicador, em termos nominais, foi registrada em janeiro, de R$ 148,39. Já a menor, de R$ 124,50, foi verificada em julho, conforme dados do Cepea.

A carne, por sua vez, até chegou a superar os valores dos anos anteriores em alguns momentos de 2017. Assim como o mercado de boi, a maior média mensal da carne foi registrada em janeiro (de R$ 10,14/kg) e a menor, em julho (R$ 9,13/kg), em termos nominais – considerando-se os dados do Cepea levantados no mercado atacadista da Grande São Paulo. No balanço do ano, o preço médio da carcaça casada de boi, de R$ 9,70, ficou 1,8% abaixo da de 2016 (R$ 9,88/kg), em termos nominais. Vale destacar o forte movimento de queda de 13% entre abril e agosto, quando o quilo da carne saiu dos R$ 10,09 no dia 13 de abril para R$ 8,78 no dia 2 de agosto, o que mostra a dificuldade enfrentada pelo setor nesse ano.

Em todo o ano de 2017, os preços do bezerro também estiveram abaixo dos de 2016 e de 2015, em termos nominais. A maior média mensal do Indicador ESALQ/BM&FBovespa do bezerro (Mato Grosso do Sul), de R$ 1.236,19, foi verificada em janeiro. De fevereiro em diante, os preços do animal praticamente só caíram, registrando a menor média do ano em agosto, de R$ 1.090,13. A média de 2017 foi de R$ 1.151,75, 12,6% abaixo da de 2016. Todas as médias estão em termos nominais.

PECUARISTA É DESFAVORECIDO NO 1º SEMESTRE – A operação “Carne Fraca” (deflagrada em março), a delação da maior indústria frigorífica brasileira (que resultou em forte redução da compra de animais por parte desse grande player) e a retomada do desconto de Funrural desfavoreceram os negócios efetivados pelo pecuarista de engorda no primeiro semestre. Neste contexto, confinadores iniciaram o período de entressafra bastante desestimulados, o que ocasionou diminuição das ofertas nos primeiros giros de confinamento e até um movimento de recuperação dos preços no final de ano.

A “carne fraca” colocou em xeque o sistema de inspeção sanitário do País e a delação do maior processador de proteína do Brasil e do mundo – responsável por cerca de 50% das exportações de carne bovina brasileira – limitaram as vendas, devido à retração no abate diário e à diminuição no processamento da carne.

EM ANO ATÍPICO, EXPORTAÇÕES SURPREENDEM – A redução no abate de boi gordo por parte do maior player brasileiro em boa parte de 2017 reduziu a oferta de carne no mercado internacional. Esse cenário, por sua vez, fez com que outros grupos nacionais expandissem seus abates e voltassem a operar plantas paradas, elevando suas participações nos mercados doméstico e externo.

Assim, mesmo com os choques internos, mas aproveitando o cenário de oferta instável no mundo, as exportações brasileiras de carne bovina acumulam números positivos. Segundo dados da Secex, de janeiro a dezembro de 2017, os embarques somam 1,21 milhão de toneladas, sendo este o segundo melhor ano da história, perdendo apenas para 2014, quando 1,217 milhão de toneladas foram embarcadas.

CUSTOS DE PRODUÇÃO – De janeiro a novembro, tanto o Custo Operacional Efetivo (COE) quanto o Custo Operacional Total (COT) caíram em 2017, um pouco mais 1%, considerando-se a “média Brasil” (BA, GO, MG, MT, MS, PA, PR, RS, RO, SP e TO).

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Data de Publicação: 05/01/2018 às 15:00hs
Fonte: CEPEA
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