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Fundação Procafé realiza 41º Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras em Poços de Caldas, Minas Gerais

Com o tema principal "Com mais tecnologia, o melhor café se aprecia" o Congresso será realizado no Centro de Convenções do Hotel Fazenda de Poços de Caldas - MG, de 27 a 30 de outubro de 2015


Publicado em: 18/09/2015 às 00:00hs

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José Braz Matiello: Graduado em Agronomia pela Universidade Federal de Viçosa – UFV em 1965
Por: Embrapa Café

A Fundação de Apoio à Tecnologia Cafeeira – Fundação Procafé promove mais uma edição de um dos tradicionais congressos sobre pesquisa cafeeira no País: o 41º Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras, a ser realizado em Poços de Caldas-MG, no Centro de Convenções do Hotel Fazenda Poços de Caldas, de 27 a 30 de outubro. O tema central deste ano de 2015 é "Com mais tecnologia, o melhor café se aprecia". A Fundação Procafé é uma das instituições participantes do Consórcio Pesquisa Café, coordenado pela Embrapa Café.

O principal objetivo do Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras é divulgar os mais recentes resultados obtidos por meio de trabalhos de pesquisa e inovações no manejo dos cafezais e preparo do café e promover transferência de tecnologias, troca de conhecimentos e treinamentos para aumento da competitividade, melhoria da qualidade do produto e sustentabilidade do setor. O público esperado, de aproximadamente 600 participantes, é constituído de pesquisadores, técnicos, extensionistas e consultores ligados à assistência técnica, professores, estudantes universitários, lideranças de associações e cooperativas, cafeicultores e demais segmentos interessados no desenvolvimento do agronegócio café.

O programa do evento prevê a apresentação oral de 100 trabalhos de pesquisa sobre os diversos setores de estudo da cultura cafeeira. A remessa de trabalhos é até 20 de setembro. Haverá também realização de três seminários sobre os 45 anos de convivência com a ferrugem do cafeeiro, a situação atual do controle da broca e o uso de imagens de drones na cafeicultura. Os participantes poderão ainda visitar estandes de empresas e conferir a mostra de quadros "Café com Arte", da artista plástica Valéria Vidigal.

Fundação Procafé - Localizada em Varginha, no Sul do Estado de Minas Gerais, realiza estudos e pesquisas cafeeiras nas áreas de produção, preparo e qualidade do café, biotecnologia, gerenciamento agrícola, diagnósticos e divulga alertas fitossanitários e estudos socioeconômicos, entre outros. Nesse contexto, promove e apoia treinamentos de técnicos e cafeicultores, realiza periodicamente cursos e eventos técnico-científicos e de transferência de tecnologias, a exemplo deste Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras. Seu corpo técnico tem experiência de cerca de 40 anos em atividades de pesquisa e transferência de tecnologia.

A transferência de tecnologia sempre esteve na linha de frente da atuação da Procafé, de acordo com o seu Presidente, José Edgard Pinto Paiva. Para ele, "a Fundação assumiu o desafio de capacitar o produtor para adotar soluções tecnológicas, reduzir custos e obter mais lucratividade. Percebemos que a satisfação de quem desenvolve uma tecnologia é que ela não faça apenas parte do seu currículo acadêmico, mas sim que ela seja utilizada. Assim, o Congresso é uma das oportunidades para reunir pesquisadores, técnicos e cafeicultores, promover a troca de conhecimentos, experiências e diálogo entre pesquisa-extensão-produção continuamente em prol da cafeicultura brasileira", conclui José Edgard.

Congresso - Para falar sobre esta edição do evento e das principais contribuições de sua realização ao longo dos anos, a Embrapa Café entrevistou o pesquisador da Fundação responsável pela organização anual do Congresso, José Braz Matiello. Graduado em Agronomia pela Universidade Federal de Viçosa – UFV em 1965, Matiello trabalhou inicialmente no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA como pesquisador e, posteriormente, em 1968, ingressou no Instituto Brasileiro do Café - IBC, no qual foi responsável pelo planejamento e execução do Plano de Renovação e Revigoramento de Cafezais e do Plano de Pesquisa e de Controle da Ferrugem do Cafeeiro. Depois, aposentado, entrou para o Ministério da Agricultura - Programa Procafé e para a Fundação Procafé, onde trabalha desde 1992 até o presente.

Embrapa Café: Como surgiu o Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras, com que objetivos e quais têm sido suas principais contribuições para a cafeicultura?

José Braz Matiello: Surgiu, em 1970, com a constatação da ferrugem do cafeeiro no Brasil e da necessidade de juntar trabalhos e recomendações, ou seja, unir esforços tecnológicos para subsidiar o controle da temida doença. Depois, com a observação de que o problema da ferrugem envolvia um conjunto de práticas de manejo dos cafezais, englobando sua renovação, houve a abertura para atender e discutir todos os setores de estudo da cultura cafeeira. O evento reúne cerca de 500 participantes e publica aproximadamente 250 trabalhos por ano, contribuindo para que novas tecnologias possam ser aplicadas na cafeicultura brasileira.

Embrapa Café: Por que a escolha do tema "Com mais tecnologia, o melhor café se aprecia"?

José Braz Matiello: O tema procura associar a ideia de que quanto mais tecnologia houver na lavoura, maior será a produtividade e melhor a qualidade, dois fatores importantes para a rentabilidade do setor. E as tecnologias vão desde materiais genéticos desenvolvidos e adaptados, passando pelo manejo das lavouras e práticas de colheita e preparo, estas com efeito mais direto sobre a qualidade do café.

Embrapa Café: Em geral, qual tem sido o perfil dos participantes do Congresso e como eles podem se beneficiar desse evento?

José Braz Matiello: São, em sua maioria, técnicos que trabalham na cafeicultura: pesquisadores, extensionistas, consultores, professores de agronomia, estudantes de graduação e pós-graduação, técnicos de empresas de insumos e maquinários e produtores-líderes. Eles podem se beneficiar, diretamente, pelo conhecimento e, indiretamente, multiplicando esse conhecimento, fazendo-o chegar até um número maior de cafeicultores.

Embrapa Café: Quais são os temas principais dos trabalhos apresentados no Congresso e quais as normas para serem selecionados? E ainda quantos trabalhos são esperados para esta 41ª edição?

José Braz Matiello: São sete áreas básicas, englobando algumas subdivisões: pragas, doenças, mudas e plantio, tratos culturais, melhoramento genético, ecologia e fisiologia e estudos socioeconômicos da produção. A seleção de trabalhos se baseia na metodologia usada e na apresentação de resultados úteis. São esperados, como nos últimos anos, de 250 a 300 trabalhos.

Embrapa Café: Qual é programação oficial do 41ª Congresso, quais as principais novidades e destaques esperados?

José Braz Matiello: A programação envolve a apresentação oral de 100 trabalhos selecionados. Todos serão publicados no livro dos Anais e em CD que serão disponibilizados no site da Fundação Procafé e do Consórcio Pesquisa Café. As novidades mais interessantes se referem ao lançamento de duas variedades clonais de cafeeiro: a cultivar Siriema, resistente ao bicho mineiro e à ferrugem, e a cultivar clonal de conilon denominada Colatina, resistente à ferrugem.

Embrapa Café: Como as pessoas interessadas em participar do Congresso podem se inscrever no evento?

José Braz Matiello: Os trabalhos devem ser enviados para o e-mail trabalhos@fundacaoprocafe.com.br até 20 de setembro. A inscrição pode ser feita a partir do primeiro dia do evento na secretaria montada no Centro de Convenções do Hotel Fazenda Poços de Caldas-MG, local onde será realizado o Congresso.

Embrapa Café: Que instituições estão patrocinando e apoiando a realização dessa 41º edição?

José Braz Matiello: A Fundação Procafé é uma delas, em parceria com a Embrapa Café, a Secretaria de Agricultura de Minas Gerais, a Universidade Federal de Lavras - UFLA e a Universidade de Uberaba - UNIUBE. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento está apoiando mediante convênio. Há ainda colaboração de cooperativas e associações de cafeicultores, do Conselho Nacional do Café - CNC, da Federação Brasileira dos Exportadores de Café - FEBEC, da Associação Brasileira da Indústria de Café - ABIC, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - Sebrae, da Fazenda Sertãozinho, onde haverá dia de campo, e da Prefeitura Municipal de Poços.

Embrapa Café: Mudando de assunto, quais os principais problemas enfrentados pelos cafeicultores e demais agentes da cadeia produtiva nacional e como a pesquisa têm ajudado a superá-los?

José Braz Matiello: Os problemas das lavouras, nos últimos anos, têm decorrido das adversidades climáticas, além do velho problema da agricultura como um todo: a questão de preços e rentabilidade. A pesquisa, com certeza, vem fazendo sua parte, gerando tecnologias que reduzem os custos de produção, desenvolvendo variedades mais tolerantes a estresses, sistemas de irrigação para economia de água etc.

Embrapa Café: Poderia apontar quais as principais tecnologias e ações de transferência de tecnologia foram desenvolvidas pela Fundação Procafé em parceria com o Consórcio Pesquisa Café nos últimos anos?

José Braz Matiello: Já realizamos diversas parcerias de difusão de tecnologias cafeeiras ao longo dos 18 anos de existência do Consórcio Pesquisa Café. Anualmente realizamos três dias de campo, dois cursos de atualização de técnicos e ainda as edições do Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras.

Embrapa Café: Gostaria de mandar um recado especial para os interessados no Congresso?

José Braz Matiello: Sim, gostaria de convidá-los a participar do evento e, na oportunidade, também aproveitar os pontos turísticos da bela cidade de Poços de Caldas. Quanto ao Congresso, o programa está bastante interessante, além de ser uma excelente oportunidade para realizar debates e fazer contatos com os mais variados representantes da cadeia produtiva do café que marcam presença no nosso Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras. Sejam todos bem-vindos!

Fonte: Embrapa Café

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