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O crescimento de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2017 veio sustentado pela importância do agronegócio. Sem o setor, este índice seria de 0,3%, como divulgou o IBGE. Embora dificilmente 2018 repita a supersafra do ano passado, a agricultura deixa de ser uma atividade atrasada e incorpora, cada vez mais, pesquisa e tecnologia. Em Minas, o peso do agronegócio é maior – chega um terço do PIB mineiro – e mostra que não só da indústria extrativa mineral vive a economia do Estado.

Há um ano à frente da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Pedro Coutinho Leitão diz que é preciso pensar estrategicamente a agricultura e enumera uma série de produtos os quais Minas ostenta a liderança na produção nacional. Ultimamente, um dos grandes alvos das exportações agrícolas mineiras é a China – que já importa cerca de R$ 1 bilhão em produtos agrícolas.

Pedro Leitão é especialista em Gestão Pública e fala, nesta entrevista, sobre as estratégias para conferir à agricultura, de forma permanente, os meios do crescimento e da sustentabilidade.

Quais são as estimativas em relação à safra agrícola nacional para 2018? Houve uma supersafra no ano passado, o que estabilizou o preços dos alimentos, mantendo a inflação em índices baixos. Neste ano, vai se repetir este quadro?

Mesmo que a gente produza mais, a economia vai estar mais aquecida. O problema não é produzir muito. É quando você produz muito para um mercado desaquecido. A agricultura tem feito seu dever de casa: buscado novas tecnologias e aumentado sua produtividade. A questão é que o mercado não anda no mesmo ritmo. Por isso é que as exportações têm aumentado.

Então a tendência dos alimentos é subir de preço em função de um reaquecimento do mercado? O IBGE, por exemplo, estima queda na produção de grãos.

Se fizermos uma projeção para os próximos dez anos, vamos verificar que continuaremos crescendo. Talvez em números menores, mas vamos continuar crescendo. E o aquecimento do mercado vai dar mais ritmo a esse crescimento. Vamos manter a direção, mas quem vai ditar a velocidade é o mercado.

Existe algum gargalo, algo que impede um crescimento maior no que o Estado pode interferir? E o que ele tem feito.
Há ações de inteligência, ações de regulação e ações efetivas na produção. Pode citar um exemplo?

Minas Gerais é o maior produtor de café. E onde a gente precisa avançar?

Precisamos avançar em da inteligência. Estamos concluindo ainda neste mês o mapeamento de todo o parque cafeeiro do Estado. Isto é informação e conhecimento para a gente estimar a safra, ver onde está produzindo mais, acompanhar a qualidade do café que está sendo produzido. Para que a gente possa pensar mais estrategicamente. Ultimamente estamos organizando o maior evento de café do Brasil, que é a Semana Internacional do Café. São concursos de qualidade que é para aumentarmos o valor agregado do café no mercado externo. Antigamente, a gente não via isso em Minas e agora tem crescido muito: um concurso da Emater, por exemplo, tem 206 amostras. As pessoas já entenderam que produzir café de qualidade você tem menos trabalho, principalmente o produtor familiar, mas você tem maior ganho. Você encontra diferença de até 300% entre um café normal e um café gourmet.

A indústria extrativa ainda é o grande carro-chefe da economia mineira. Mas e a agricultura qual o peso dela na economia mineira?

Agora mais importante do que nunca. Se a gente pensar que o saldo da balança comercial – ou seja, a diferença entre o a gente importa e o que exporta – 45% deste saldo vem da agropecuária. Minas Gerais tem observado expansão nos negócios em agricultura. Estamos batendo recorde nos últimos anos na produção de riquezas do agronegócio, como também vários setores em ascensão. Não só nos setores mais tradicionais como o café e o leite. Minas é o maior produtor de café do mundo, 56% da produção nacional nasce em Minas e é o principal produtor de leite. Na produção de grãos – a gente projeta um crescimento de 20% nos próximos dez anos. E a safra de 2017 foi a maior dos últimos dez anos. É algo que não poderíamos imaginar há dez anos. Isso tudo com investimentos em tecnologia, no produtor rural, buscando a melhor tecnologia, o uso racional da água. Além disso, projetamos um crescimento de 51% na produção de carne bovina dentro de Minas Gerais. Temos aumentado a fruticultura no Estado: laranja, limão, manga, tangerina e maracujá, só para citar alguns exemplos. Minas Gerais já é o maior produtor de limão do Brasil. Um dos gargalos que precisamos nos preocupar é a questão hídrica, pois é algo que impede políticas. Temos acesso a alguns dados que registram que a média de chuva é a menor dos últimos 40 anos. Isso afeta diretamente a agricultura e a pecuária.

A Secretaria tem priorizado a agricultura familiar e o pequeno produtor?

Mesmo com o contingenciamento financeiro conseguimos, através de boas práticas, atender a mais 100 mil famílias sem aumentar o custo. É um segmento que tem grande peso: 70% de toda a riqueza produzida na agricultura vem dos pequenos produtores.

O senhor é partidário de que exportar alimentos não é somente exportar commodities? Ser considerado “o celeiro do mundo” não é nenhum demérito?

Não mesmo, até porque se produzir batata ou feijão, coisas simples, precisa-se cada vez mais tecnologia agregada. Aliás, Minas Gerais também é o principal produtor de batata do Brasil, com 55% da produção.

Qual o papel do Estado com relação ao incentivo ou regulação para as exportações?

É lógico que precisamos muito do governo federal para abrir as portas, mas o governo estadual não fica parado. No ano passado fomos em missão à Alemanha para a maior feira de alimentos do mundo e os produtos mineiros estavam lá. Acompanhamos os movimentos do governo chinês. A China importou de Minas Gerais quase R$ 1 bilhão e apostamos que podemos quadruplicar este volume. Os chineses começaram a consumir café, o que quase não consumiam.

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