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30/07/2010 18:20

Pesquisas com biocombustíveis de segunda geração serão desenvolvidas na Escócia

O projeto tem o objetivo de estreitar o relacionamento profissional e prover oportunidade de aperfeiçoamento e atualização de analistas e pesquisadores da Embrapa e das instituições parceiras do Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária - SNPA em instituições de excelência no Reino Unido

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O pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, uma das 45 unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Jonny Everson Scherwinski-Pereira, embarcou na segunda-feira (dia 26) para Dundee, na Escócia, onde fará pesquisas sobre biologia celular e transformação genética de plantas para o desenvolvimento dos chamados biocombustíveis de segunda geração, que são aqueles produzidos a partir da celulose presente nos resíduos da cana-de-açúcar e outras matérias-primas vegetais.

O pesquisador foi um dos selecionados para um aperfeiçoamento de curta duração no Reino Unido como parte do projeto “Inglaterra-Brasil: pesquisa com biocombustíveis de segunda geração”, firmado em parceria entre a Embrapa Agroenergia e Universidades e Centros de Pesquisa do Reino Unido que proporciona por um período de seis meses que brasileiros desenvolvam pesquisas em laboratórios britânicos.

O projeto tem o objetivo de estreitar o relacionamento profissional e prover oportunidade de aperfeiçoamento e atualização de analistas e pesquisadores da Embrapa e das instituições parceiras do Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária - SNPA em instituições de excelência no Reino Unido. “Esse intercâmbio estimula a promoção e a construção de uma rede e ampliação dos trabalhos de cooperação técnica em pesquisa e desenvolvimento entre o Reino Unido e Brasil sobre biocombustíveis de segunda geração. Essa é uma excelente oportunidade de colaboração em pesquisa científica”, destaca o Chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agroenergia, Esdras Sundfeld.

Jonny Pereira explica que durante este período irá trabalhar na manipulação da síntese de alguns constituintes da parede celular, em especial a lignina, a partir de estratégias de transgenia utilizando como planta-modelo a cevada. “Embora o trabalho a ser desenvolvido seja com uma planta que não é utilizada para etanol de 2º geração no Brasil (a cevada), a aplicação prática no meu retorno ao País será a de usar estratégias similares inicialmente em cana-de-açúcar”, ressalta.

De acordo com o pesquisador, as paredes celulares são estruturas essenciais para o crescimento e desenvolvimento de plantas e, além de suas diversas funções biológicas, são utilizadas para os diversos processos industriais, como na produção de polpa celulósica. Assim, o entendimento da regulação dessa rota metabólica é fundamental para modular a dinâmica da biossíntese desses açúcares e, assim, tentar manipular as propriedades bioquímicas das paredes celulares.

“Nesse contexto, uma questão óbvia para a produção de materiais de segunda geração para a produção de biocombustível parece ser a de manipular a estrutura das paredes celulares de determinadas plantas, uma vez que são determinados polímeros presentes nessas paredes que previnem as enzimas de degradar os materiais das plantas em simples açúcares e etanol”, explica Jonny. “E justamente um dos mais importantes polímeros da parede celular é a lignina”, complementa.

Para o pesquisador, a oportunidade de realizar experimentos na Escócia será de grande valia e deverá se traduzir num importante retorno em ciência, tecnologia e desenvolvimento de produtos e processos para o país a curto e médio prazo. “Além de podermos criar linhas de pesquisa visando à melhoria dos processos de produção de etanol, esse treinamento também abre grandes possibilidades de trabalharmos para a melhoria dos processos de produção de polpa celulósica e, conseqüentemente, a fabricação de papel. Também não é difícil pensarmos que seria uma importante ferramenta para podermos melhorar a digestibilidade de determinadas espécies de plantas destinadas à forragem animal”, conclui.



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