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O tungue é uma vegetação típica de Regiões muito frias e, apesar de incomum no Brasil, pode ser encontrado na região serrana do Rio Grande do Sul. O óleo de tungue, que é muito utilizado para a indústria de tintas e vernizes por sua capacidade secante, está sendo estudado para a produção de biodiesel. O teor de óleo encontrado na amêndoa da cultura fica entre 40% a 45%, o que é uma alta porcentagem. As pesquisas ainda estão no início e a maior dificuldade é reduzir a grande concentração do ácido alfa esteárico, que é insaturado e pode provocar oxidações, prejudicando o motor. Os estudos do uso do óleo de tungue para biodiesel serão apresentados durante o Simpósio Estadual de Agroenergia, que acontece de 10 a 12 de agosto, em Pelotas, no Rio Grande do Sul.
A intenção dos pesquisadores não é a de substituir o óleo de soja, mais utilizado para a produção de biodiesel, mas criar um complemento para aditivar o combustível. Ele não seria usado da forma pura por causa dos problemas de oxidação, mas como uma mistura, já que o tungue possui alto teor oléico. Os benefícios que o uso do óleo de tungue pode trazer, além do alto teor de óleo, são em relação à incorporação da agricultura familiar ao processo de produção de biocombustíveis, já que o tungue exige colheita manual.
Em termos tecnológicos, a gente ainda tem bastante pesquisa para usar o óleo de tungue porque ainda precisamos de alguns ajustes para utilizar o óleo em motor diesel. A vantagem é que você não usa o óleo de tungue como uma espécie para fins alimentícios como no óleo de soja, não há esta competição. O óleo de tungue tem muitas outras utilizações além da produção de biodiesel. É muito utilizado pela indústria de tintas e vernizes porque ele tem uma capacidade secante muito boa, então, na verdade ele tem alto valor comercial. Eu não acho que para a produção do biodiesel ele vá competir com o óleo de soja, em termos de custo, ele vai acabar sendo mais caro. O óleo de tungue vai ser usado para uma função aditiva e não como combustível puro — explica a química Rosilene Maria Clementin, pesquisadora da Furge (Fundação Universitária do Rio Grande) e uma das palestrantes do Simpósio Estadual de Agroenergia.
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