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08/02/2010 13:40

Problemas com ferrugem da soja podem ser piores que 2006

O ataque da ferrugem da soja em Mato Grosso, nesta safra, pode ser ainda pior do que o ocorrido no ano de 2006, quando o setor enfrentou uma grande crise

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A avaliação é do gerente de desenvolvimento de fungicidas da Bayer CropScience, Pedro Singer. Há cerca de duas semanas ele passou por várias cidades produtoras do Estado e verificou que muitos produtores não estão dando a devida importância ao problema. Segundo Singer, essa “tranquilidade” se deve ao fato de Mato Grosso estar desde 2007 sem problemas com a ferrugem.

Singer alerta que há ainda muito para se colher no Estado, em torno de 70%, e a soja do terceiro ciclo, a chamada soja tardia, deve ser a mais prejudicada se não forem feitas aplicações adequadas de fungicidas. Ele frisa que hoje, além do grande volume de chuvas, que propicia o aparecimento da doença, há um agravante: a ferrugem está menos sensível aos fungicidas. Significa que são necessárias muitas aplicações para se atingir algum resultado. O controle é mais difícil.

O gerente de desenvolvimento de fungicidas da Bayer lembra que em 2006 havia um produto curativo, ou seja, ele era aplicado quando a planta já estava doente e matava a doença. “Hoje isso não existe mais. As doses não respondem e aumentar muito a aplicação a um nível que haja resultado é inviável financeiramente. É preciso estar alerta para a última época de plantio. O monitoramento tem que ser intenso.”

Singer explica que quando começa a colheita da segunda época, a pressão da doença no ar é grande. Ele conta que nas lavouras onde se fez aplicação com 25 dias de intervalo na soja precoce, na segunda época o intervalo deverá ser no máximo de 15 dias. Na soja tardia então, será menor ainda. “É importante aplicar e a cada dois dias vistoriar a lavoura, checar se a ferrugem não entrou.”

Para Pedro Singer, o estado é de alerta mesmo. Até porque a doença se espalha pelo ar. Ele diz ainda que nos estados vizinhos de Goiás e Mato Grosso do Sul a situação é ainda pior. De acordo com o gerente da Bayer, a previsão de preço da commoditie para a colheita não é grande coisa. E se o produtor não conseguir colher bem, os problemas de ganho serão maiores.

Singer destaca que geralmente o produtor aplica os fungicidas até a metade do enchimento do grão e acha que a planta está salva. Mas a quantidade de folha que fica na lavoura depois da colheita multiplica a ferrugem, que se espalha. “Teve muita gente que não fez a terceira aplicação porque não teria mais dano em sua lavoura. E muitos vão fazer isso, porque não vai influenciar em nada para eles.” A questão é que a doença fica e se espalha.

Pedro Singer passou uma semana percorrendo lavouras em Mato Grosso. Esteve em cidades como Primavera do Leste, Campo Verde, Rondonópolis, Itiquira, Querência e todo o Vale do Araguaia. Conta que viu uma soja muito bonita sendo colhida e que promete mesmo ser uma grande safra. A ameaça a esse sucesso, no entanto, é a ferrugem.

A soja precoce já foi quase toda colhida, a normal está na fase de enchimento de grão e a tardia, ainda na floração. “Todas estão com potencial produtivo grande, inclusive no Baixo Araguaia, onde o solo é arenoso. Só duas coisas podem prejudicar a lavoura. Uma é a chuva, que agora deu uma estiada. Não chove mais a ponto de apodrecer a soja. Outra é a ferrugem, que pela média de Mato Grosso está em grande quantidade.”

Histórico

Singer conta que em 2006, em Primavera do Leste, teve lavoura que precisou de sete a 10 aplicações de fungicida. De lá para cá, as condições climáticas e a implantação do vazio sanitário ajudaram a barrar a doença. “Ficou no produtor um sentimento que sabia lidar com o problema por conta das últimas safras. Este ano, a primeira área colhida teve 1,5 aplicação, que é o normal. E isso foi feito mais por desencargo de consciência, porque nos últimos dois anos não foi necessário. Agora é necessário.”

No segundo plantio, em Campo Verde, Singer viu lavouras com quatro aplicações e que ainda teriam uma quinta aplicação. Mas ele destaca que isso foi nas terras do grupo Bom Futuro, um dos grandes produtores de soja e milho do Estado, onde o cuidado é grande. Porém, ele também passou por lavouras de produtores menores, em Itiquira, onde foram feitas apenas duas aplicações e a plantação está tomada pela ferrugem. “Não vi muitas situações como essa.” Ou seja, quem não acreditou que poderia ter problemas, acabou perdendo a lavoura e não há mais o que fazer.



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