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Os produtos orgânicos são tema da quarta matéria da série sobre a Semana da Micro e Pequena Empresa, de 5 a 10 de outubro. Ciente do potencial desse mercado, a empresária Vanessa Rouvier, do Rio de Janeiro, investiu na primeira loja 100% orgânica do País. A Butik Orgânicos, que no início de sua trajetória teve apoio do Sebrae, hoje é exemplo de pequeno negócio que aposta na qualidade e não pára de crescer.
Uma casa de dois andares na Lagoa, um dos bairros mais nobres da zona sul do Rio de Janeiro, é o endereço da primeira loja no Brasil 100% orgânica. Com uma disposição atraente dos produtos, flores em todos os ambientes decorados em estilo Provence, a Butik Orgânicos apostou no estilo para se diferenciar no mercado.
"Desde o princípio, imaginei um lugar sofisticado e elegante para não reforçar o estereótipo de que este tipo de produto é destinado apenas aos 'naturebas'. O termo é pejorativo e remete a guetos de consumo. A loja foi pensada para atrair o público interessado em uma opção saudável de vida, mas que não abre mão da beleza e do conforto", diz a empresária Vanessa Rouvier, orgulhosa do seu pioneirismo.
A decisão se mostrou acertada. Inaugurada em 2006, há cerca de um ano o espaço ganhou um restaurante e, da oferta inicial de 500 produtos, passou para mais de 800 itens entre hortifrutigranjeiros, laticínios, massas, conservas, sorvetes, carnes, sucos e bebidas. Nas prateleiras também podem ser encontrados cosméticos e produtos de limpeza. Recentemente, a empresa, que tem a chancela da Associação de Certificação Instituto Biodinâmico (IBD), inovou novamente: colocou à disposição dos clientes o serviço de entrega em domicílio.
"Aqui só vendemos produtos certificados. Isso dá segurança ao consumidor e abre perspectivas reais de negócios para os pequenos produtores", diz Vanessa. A empresária, que contou com a orientação do Sebrae no Rio de Janeiro na fase inicial do projeto, continua com laços estreitos com a Instituição para a identificação de fornecedores locais.
"A agricultura orgânica, com base na produção familiar, perde em escala, mas ganha em especificidade e qualidade. Por isso, é importante fazer a conexão direta entre os produtores e os varejistas porque eles ganham pontos fixos de venda, atendendo pequenas demandas, enquanto a empresária diminui custos com a proximidade do fornecedor e ganha em confiabilidade e rastreabilidade dos produtos ofertados", avalia o analista de Agronegócios Angelo Baeta, do Sebrae no Rio de Janeiro.
A empresária confirma essa avaliação. "Todas as frutas, verduras e legumes são comprados no Rio, o que garante o frescor destes alimentos altamente perecíveis", diz Vanessa, que para garantir a diversidade, trabalha com uma rede de fornecedores de outros produtos em dez estados.
Mesmo com indicadores positivos, ela não descuida do negócio. "A empresa tem critérios rígidos de compra para garantir a qualidade dos produtos, a equipe de dez funcionários tem capacitação constante e estou sempre procurando inovar. Para as micro e pequenas empresas, cada centavo faz diferença e precisa ser aplicado corretamente."
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