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Apostando na agroecologia e acreditando na conscientização mundial. A produção de algodão orgânico começa a se consolidar como um interessante suporte na agricultura para dezenas de famílias de pequenos produtores do Sertão Central.
Os resultados são comemorados nos assentamentos e comunidades rurais de Quixadá e Choró. Pequenos produtores apostaram no cultivo diferenciado da fibra ecológica como uma garantia a mais para a sobrevivência no campo. Percebem que o produto valem mais do que pesam. O resultado é apontado por representantes de classe dos dois municípios.
Segundo a coordenadora de políticas para o semi-árido do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Quixadá (STTRQ), Lucilene de Paula, neste ano a adesão foi de 69%. Até o encerramento da colheita, previsto para esta semana, terão colhido 32 toneladas do algodão especial. ´Negócio do século´ Apesar do expressivo percentual, o número ainda é pequeno, considerando-se que dos mais de seis mil associados apenas 125 deles acreditaram no cultivo diferenciado. Todavia, na implantação do modelo agroecológico, em 2003, eram apenas oito. Ela acredita que os últimos resultados multiplicarão o interesse de outros. Avalia a cotonicultura orgânica como "negócio do século".
Essa também é a expectativa da presidenta do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Choró (STTRC), Eliane Ramos. Ela recorda que no início da produção do algodão em rama, também em 2003, cultivado em consórcio com culturas tradicionais na região, apenas sete lavradores participaram da experiência. Hoje são 37. Apesar das chuvas terem enchido grandes açudes, a pluviometria da última quadra invernosa na região foi baixa. Mesmo assim, conseguiram colher 1.200kg de plumas. O engenheiro agrônomo e pesquisador do Esplar - Centro de Pesquisa e Assessoria, uma Organização Não Governamental (ONG) de assistência a agricultura familiar-, Pedro Jorge Lima, explica que a expansão é ainda mais expressiva quando Tauá, Canindé, Massapê, Santana do Acaraú, Forquilha e Sobral são incluídos na contabilidade do campo. Os oito municípios colheram juntos mais de 43 mil quilos no ano passado.
Toda a produção foi beneficiada pela Associação de Desenvolvimento Educacional e Cultural de Tauá (Adec), que comercializa a fibra ecológica para a empresa Veja Fair Trade, da França e para a Justa Trama, no Rio Grande do Sul. Ele destaca que em 2008 o algodão agroecológico teve nova expansão. Banabuiú, no Sertão Central; Parambu nos Inhamuns; e ainda Aurora, Barro, Missão Velha e Milagres, no Cariri, aderiram ao modelo. Neste ano, 18 agricultores dos quatro municípios da região Sul do Estado cultivaram 11,4 hectares e produziram 10.800kg de algodão, de cor rubi. Eles receberam apoio do Comitê de Entidades de Combate à Fome e Pela Vida (Coep). Depois de beneficiada, a pluma foi vendida para a CoopNatural, da cidade de Campina Grande. Antes do plantio foi firmado contrato de compra e estabelecido o preço da matéria-prima orgânica.
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