1. Introdução:
O tomateiro é conhecido e cultivado praticamente no mundo todo sendo consumido tanto "in natura" quanto industrializado. Entre os maiores países produtores estão: Estados Unidos, Rússia, China, Itália, Turquia, Egito, Espanha, Grécia, Brasil e México.
Com o processo de domesticação e seleção até chegar às cultivares atuais, perdeu-se muito em resistência a doenças que são características intrínsecas do material selvagem original.
Pesquisas têm sido conduzidas no sentido de se obter plantas com resistência a doenças e a condições ambientais adversas como: temperatura e salinidade do solo. Dessa forma espera-se que o tomateiro possa ser cultivado nos mais variados tipos de climas e solos, abrindo perspectivas para cultivos em condições antes impossibilitadas.
Com advento da plasticultura, muitas técnicas de cultivo se estabeleceram e trouxeram uma nova perspectiva de trabalho em ambiente protegido. O fato de proteger as plantas das intempéries trouxe um ganho em produtividade e qualidade, facilitando a vida do produtor.
Esse processo produtivo ainda está se estabelecendo em muitas regiões e seu conhecimento e aprendizado tendem a ser longo.
Conjuntamente a esses fatos, o mercado está sempre exigindo produtos mais competitivos, com qualidade e ofertas comprovadas. O uso da plasticultura viabiliza todas as expectativas sendo atualmente uma ferramenta totalmente disponível ao agricultor.
2. Descrição do "tomateiro-caqui":
O tomateiro é membro da família Solanácea cuja espécie, Lycopersicon esculentum, apresenta importância comercial. É originário do centro de origem Sul-americano - Peruano - Equatoriano - Boliviano - precisamente na região andina.
Possui um sistema radicular principal curto e pouco ramificado e o secundário extremamente ramificado e eficiente. A planta se desenvolve no início ereta e, posteriormente, dada a característica da haste principal muito tenra e com pouca sustentação, tende a se desenvolver rasteira, necessitando de tutoramento.
A emissão de brotações secundárias ocorre na região axilar das folhas e, permitido o seu desenvolvimento, haverá emissão de ramos terciários e assim sucessivamente.
Possui flores hermafroditas (os dois sexos na mesma flor) que apresentam coloração amarela e tamanho pequeno. Essas flores são dispostas em cachos que podem conter entre 6 e 15 flores cada, dependendo das características genéticas da planta.
O tomateiro é classificado em três grupos distintos:
Grupo santa cruz - possui de 2 a 3 lóculos;
Grupo industrial - possui de 2 a 3 lóculos e hábito de crescimento rasteiro;
Grupo salada - possui mais de 3 lóculos - plurilocular. Nesse grupo está incluído o tomateiro caqui. O hábito de crescimento pode ser determinado e indeterminado.
3. Estufa:
Atualmente o termo estufa vem sendo substituído pela expressão "estrutura de proteção".
Objetiva-se com isso dar uma maior abrangência a essa prática, evitando a associação com artifícios geradores de calor. Estruturas de proteção são todos os recursos utilizados com o objetivo de proteger a planta de condições ambientais adversas. Um simples anteparo que protege a planta contra os ventos é uma estrutura de proteção. São cobertas com película de polietileno aditivada de 75 a 200 micras de espessura, podendo ou não ser abertas nas laterais. Várias são as modalidades de estruturas e podem ser citadas: túnel baixo, túnel alto e modelo capela. O modelo capela é uma estrutura padronizada que possui 10 metros de largura por 32,4 m de comprimento e pé direito de 2 a 2,5 m, dependendo das condições climáticas.
4. Ambiente e manejo:
4.1. Luminosidade:
O tomateiro é exigente em luz para que se desenvolva e produza convenientemente mas, por outro lado, é considerado indiferente ao fotoperíodo.
Os filmes de polietileno de 100 micras interrompem cerca de 10% da luminosidade natural.
Com o tempo, o filme plástico é impregnado de partículas em suspensão na atmosfera também sofrendo amarelecimento natural, resultando em maior opacidade. Desse modo, deve-se considerar esse fator no momento de se instalar a estufa, já que há diminuição da luminosidade, podendo ser prejudicial à planta.
As seguintes medidas visam minimizar esse problema:
Utilização de filmes difusores de luz;
Utilização de cobertura morta de cor clara como areia, casca de arroz ou mulching de dupla face (branco-preto ou prateado-preto);
Tutoramento com fitilho vertical;
Disposição das linhas de plantio na direção norte-sul.
4.2. Umidade:
De forma geral, o período de saturação de água é maior no interior da estufa quando comparado ao cultivo a céu aberto, com formação de orvalho ocorrendo quase que diariamente e por um período prolongado. O excesso de umidade aliado a temperatura alta favorece a ocorrência de grande parte das doenças do tomateiro.
A maioria da umidade dentro da estufa provém da transpiração da planta e evaporação da água de irrigação do solo. Pode-se minimizar o excesso de umidade através de algumas medidas tais como:
Construção da estufa de proteção com pé direito alto;
Realização de podas sistemáticas das folhas e pontas das hastes da planta diminuindo a superfície foliar e, conseqüentemente, a transpiração;
Adoção do "mulching", que diminui a evaporação de água do solo e o volume de água de irrigação;
Evitar implantação da estufa em áreas de formação de nevoeiro e sujeitas a encharcamentos;
utilização de tela nas laterais da estufa e de exaustores na parte mais alta da estrutura.
A melhor maneira de acompanhar o teor de umidade relativa é por meio de um higrômetro.
Tanto o excesso quanto a falta de umidade são prejudiciais em determinadas fases do ciclo, o ideal é tentar manter o nível ao redor de 60% com um mínimo de 50% e máxima de 70%.
4.3. Temperatura:
Dentro da estufa ocorre um interessante processo alimentado pela irradiação solar chamado efeito estufa que causa um aquecimento maior em seu interior que no exterior, mesmo durante a noite. Esse efeito é provocado pela refração da luz solar sobre o filme de cobertura, transformando suas ondas curtas (fora da estufa) para ondas longas (dentro da estufa), retendo-as em seu interior.
A luminosidade e o calor são absorvidos pelo solo e plantas durante o dia e liberados durante a noite na forma de radiação infravermelha que fica retida grande parte entre o solo e o filme de cobertura. Esse fato explica a importância da coloração do solo na manutenção da temperatura interna da estufa, uma vez que coberturas mortas de coloração clara, refletem mais luz e absorvem menos calor enquanto que, com as de coloração escura, ocorre o inverso.
Parte dessa luz solar não penetra na estufa sendo refletida pelo próprio plástico em graus variados, ditados pela direção da estufa, opacidade e espessura do filme, declinação do sol e grau de inclinação da cobertura.
O ar, a medida que se aquece, vai se tornando menos denso e acumulando na parte mais alta na forma de bolsas de ar quente. Essas bolsas podem prejudicar o perfeito desenvolvimento da cultura, dependendo da distância que estiverem da parte superior do tomateiro tutorado, por isso, deve-se adotar um pé direito mais alto, como forma de minimizar o problema.
A temperatura ótima para germinação das sementes está entre 25 a 30°C demorando de 7 a 9 dias para germinação total, após a qual devem ser mantidas em local com temperatura ao redor de 15 a 20°C, até o momento do transplante.
A temperatura é um fator limitante para o cultivo do tomateiro em estufa sendo que, a máxima que devemos admitir, é 30°C e mínima, 12°C. A planta exige também uma termoperiodicidade (diferença entre temperaturas diurnas e noturnas) ao redor de 6°C para que ocorra um desenvolvimento vegetativo moderado e desejado. A figura abaixo demonstra as faixas de temperatura ideais durante o ciclo de seu desenvolvimento.
A dificuldade de manutenção da temperatura ideal com o uso de estufas rústicas e com poucos recursos é um fato, porém, pode-se obter bons resultados mantendo a temperatura das estufas após o transplante, ao redor de 27°C de dia e de 16°C à noite.
As temperaturas devem ser monitoradas através de termômetros de máxima e de mínima instaladas a 1,5 m de altura na área central da estufa em local sem insolação direta.
4.4. Efeitos adversos da temperatura dentro da estufa:
Temperatura >35°C diminui a porcentagem de germinação do pólem e crescimento do tubo polínico;
Temperatura >40°C por algumas horas provoca queda de todas as flores;
Temperatura interna do fruto >30°C durante a frutificação e maturação deixa o fruto amarelado;
Temperatura interna do fruto >40°C durante a frutificação e maturação deixa o fruto verde indefinidamente;
Temperatura >30°C durante a formação das mudas provoca estiolamento;
Termoperiodicidade 30°C (dia) e 20°C (noite) provoca baixa fixação de frutos.
4.5. Algumas medidas preventivas para manutenção da temperatura:
Em regiões muito quentes deve-se adotar um pé direito de pelo menos 2,5 m;
Pode-se dimensionar um sistema de exaustão, mas deve-se ter em mente que esse tipo de sistema não refrigera o interior da estufa. Na melhor das hipóteses, iguala as temperaturas interior e exterior;
No caso da região ser constantemente quente, utiliza-se a estufa como guarda chuva, mantendo as laterais teladas ou abertas;
No caso de regiões sujeitas a temperaturas baixas deve-se equipar a estufas com cortinas plásticas nas laterais;
Utilização de mulching;
Colocação de telas de sombreamento sobre o filme de cobertura, a pelo menos 25 cm de distância desse;
Aspergir água sobre a cobertura da estufa;
Em estufas mais sofisticadas, adoção de janelas zenitais.
5. Produção de mudas:
As condições microclimáticas dentro da estufa, em especial a diminuição da luminosidade, levam a planta a apresentar características estruturais diferentes daquelas cultivadas ao ar livre. O efeito é verificado pela redução da espessura da camada de cutícula e cera das folhas. Afeta também a resistência a ataques de patógenos e pragas, causando diferentes graus de estiolamento que, quando combinado com uma adubação inadequada, torna os tecidos vegetais mais tenros com maior quantidade de água. Conseqüentemente, os tecidos ficam mais suscetíveis a antagonistas que têm, no interior da estufa, condições ideais para sua proliferação.
Sempre que possível, deve-se optar pela utilização de variedades de tomate tipo caqui desenvolvidas para o cultivo protegido, pois variedades melhoradas para o cultivo convencional, podem ter sua resistência a determinados patógenos alterada quando conduzidas em estufa.
Deve-se optar por uma cultivar híbrida com uma ampla gama de resistência a doenças, boa produtividade, boa adaptação à região de cultivo e boa aceitação pelo mercado consumidor.
Em algumas localidades, o tomaticultor pode optar pela compra das mudas já formadas, encomendando-as de produtores especializados a um custo acessível, ganhando tempo, pulando as etapas de semeadura, germinação e formação.
Atualmente, as mudas de tomate são produzidas em bandejas de isopor com 128 células.
Esse sistema de produção tem como vantagem a utilização de material homogêneo e esterilizado como substrato. Essa técnica melhora a fitossanidade e o vigor da planta e, ao ser extraídas das células, as mudas quase não sofrem danos no sistema radicular diminuindo o estresse do transplante. As bandejas podem ser reaproveitadas diversas vezes e o volume de substrato necessário é pequeno, diminuindo o custo de produção. O espaço requerido para a produção de um grande número de mudas é reduzido, possibilitando a construção de uma estrutura especialmente para essa atividade, com alto grau de automação a custo relativamente baixo.
Em algumas regiões, como acontece com as mudas prontas, encontra-se também mistura pronta de substrato específico, comercializado por empresas especializadas. Se o produtor resolver ele mesmo preparar o substrato para produção das mudas, deve-se lembrar que o tomateiro cresce muito rapidamente, exigindo portanto, muito nutriente. As mudas ficarão cerca de 30 dias na bandeja com irrigação constante, com possível lixiviação de nutrientes, comprometendo o seu bom desenvolvimento.
Testou-se com bons resultados as seguintes formulações: manipula-se uma mistura de 30% de cama de frango e 70% de terra de barranco; 45% de esterco de gado bem curtido mais 55% de terra de barranco, a essa mistura, acrescenta-se 50% de casca de arroz carbonizada, que exerce papel de promotor de aeração do substrato. Deve-se completar a formulação com fósforo usando-se 500 g de superfosfato triplo para cada 100 L de substrato.
5.1. Critérios para produção de mudas:
Homogeneizar o substrato e preencher as bandejas;
Abrir um orifício com 0,5 a 0,7 cm de profundidade e introduzir a semente;
Fechar o orifício e cobrir as bandejas com camadas finas de areia ou casca de arroz;
Irrigar diariamente mantendo a umidade em um nível adequado, não devendo usar fertirrigação antes da germinação para que não ocorra inibição;
Atentar para a temperatura ideal dessa fase;
5.2. Características das mudas bem formadas:
A haste da muda deverá apresentar cor verde suave;
A haste deverá ter de 12 a 15 cm de altura não devendo estar estiolada;
O sistema radicular deverá ter coloração esbranquiçada;
A muda deverá apresentar bom aspecto fitossanitário como um todo e desprender o cheiro típico do tomateiro.
6. Adubação:
6.1. Importância de um bom preparo do solo:
O trabalho de preparo do solo deve ser feito com antecedência. A profundidade que deverá ser atingida no preparo do solo é de 25 a 30 cm abaixo do canteiro. Freqüentemente efetua-se a subsolagem entre uma safra e outra com o objetivo de evitar a formação do pé-de-grade (camada compactada abaixo da camada arada). Caso não se faça essa operação, a drenagem no interior da estufa e o desenvolvimento normal das raízes do tomateiro serão prejudicadas, podendo também iniciar ou agravar o processo de salinização do solo da estufa.
Quando desejado, pode se incorporar uma parte de casca de arroz carbonizado, vermiculita ou serragem - que não seja de pinus - ao solo com o objetivo de melhorar a aeração.
As operações seguintes de preparo do solo seguem a seqüência de preparo do solo normalmente utilizadas no cultivo convencional.
6.2. Salinização:
A salinização do solo é facilmente encontrada dentro das estufas, surgindo já a partir do primeiro ano de cultivo. É o reflexo de uma adubação inadequada a essas novas condições de cultivo. Gera-se um acúmulo ao longo do tempo de determinados nutrientes que, devido ao cultivo protegido, não são lixiviados (arrastados pela água para as camadas mais profundas do solo).
Os sintomas principais são plantas definhadas, com o crescimento desuniforme, baixa produtividade, morte e aparecimento de uma crosta ou pontuações brancas sobre o solo, caracterizando uma deposição de sais.
Na opção pelo cultivo protegido, o horticultor deve adotar medidas visando retardar, evitar ou minimizar a salinização do solo, tais como: maior utilização de adubos orgânicos (esterco, húmus, turfa ou terra vegetal), drenagem eficiente das estufas, utilização de água com baixa concentração de sais naturais para irrigação, subsolagem freqüente, preparo adequado do solo e utilização racional de adubos químicos.
6.3. Adubação básica:
A adubação orgânica feita com esterco bem curtido ou húmus, é uma necessidade para o equilíbrio da microbiologia do solo e melhora gradativamente as suas características físicas e químicas. As aplicações ao longo do ano devem chegar a mais de 5 kg por m2.
A adubação química deve ser feita baseada nas necessidades nutricionais próprias do tomateiro visando apenas suprir os nutrientes que estão em falta ou em quantidades baixas no solo. Essa informação é fornecida através da análise do solo e publicações com recomendações específicas de adubação como a 4ª Aproximação ou boletim técnico nº100 do IAC.
Uma adubação básica que tem sido utilizada que pode servir como orientação, ressalvando as variações de quantidades de nutrientes em função da composição química de cada solo em especial, é a seguinte:
40 g de sulfato de potássio/m2;
20 g de sulfato de amônia/m2;
150 g de superfosfato simples/m2.
Incorpora-se ao solo todo o superfosfato simples e metade da dose de sulfato de potássio, antes do transplantio. O restante do sulfato de potássio e todo o sulfato de amônia, deve ser aplicado em pequenas doses semanais via sistema de irrigação assim como os micronutrientes, caso seja necessário. Pode-se fazer a dissolução de todos eles em água limpa (dentro de um tanque de plástico, amianto ou fibra de vidro), manter em local fresco, longe do sol, e ir adicionando com uma medida de volume conhecido, através do injetor de fertilizantes acoplado ao sistema de gotejamento durante as irrigações. Isso facilita enormemente a adubação de cobertura, reduzindo a necessidade de mão de obra, uniformizando a distribuição do adubo no solo e otimizando seu aproveitamento.
A calagem, quando necessária, deverá ter suas quantidades estimadas com base na análise de solo, podendo ser utilizado o calcário calcítico ou dolomítico (quando se quer alterar o teor de magnésio). Deve ser aplicado e incorporado 3 meses antes do plantio.
É bom ressaltar que as técnicas de cultivo em plasticultura levam à mineralização de alguns nutrientes, não sendo retirados de imediato do solo pelas plantas. Assim como outros elementos químicos que vêm junto com o adubo na forma de impurezas, com o passar do tempo, atingirão teores que intoxicarão as próprias plantas. No cultivo protegido não é aconselhado a utilização de fórmulas prontas (4-14-8, 10-10-10, etc.). O horticultor deve adquirir fertilizantes simples (uréia, sulfato de amônio, MAP, etc.), com a melhor pureza possível, especialmente, aqueles que serão utilizados na fertirrigação, para não causar problemas de entupimentos nas tubulações e gotejadores. Pelo mesmo motivo, não se deve misturar nitrocálcio ou nitrato de cálcio com sulfatos de potássio, de amônio, de zinco, etc, no tanque de dissolução, devendo ser dissolvidos e aplicados separados. Entre a aplicação de um e outro, deve-se irrigar apenas com água para retirar os resíduos de dentro da tubulação para que não ocorram reações indesejadas.
O bom horticultor deve criar o hábito de fazer análise do solo a cada novo plantio, onde controlará a quantidade de cada nutriente que havia antes e depois da adubação, exigindo do técnico que o acompanha que esses valores estejam dentro das recomendações técnicas.
O ideal é que se tenha um engenheiro agrônomo especialista nessa área para assessorar o produtor na amostragem, perfeita interpretação e recomendação para sua análise de solo.
Isso pode ser feito através de um serviço de extensão rural (EMATER, EMBRAPA, EPAMIG, etc.) ou consultoria particular.
7. Instalação da cultura :
7.1. Canteiros:
Com o solo no interior da estufa já preparado e devidamente adubado, procede-se à formação dos canteiros: deverá possuir um comprimento de 30 m, 50 a 60 cm de largura, com um acabamento regular. Sua altura é fundamental já que o tomateiro não tolera encharcamento de solo, quanto mais alto, maior e mais eficiente é sua drenagem.
7.2. Mulching:
A utilização da cobertura morta provoca o alastramento superficial das raízes do tomateiro, já que não há necessidade de seu aprofundamento, também reduz a compactação do solo mantendo-o poroso e com temperatura constante, diminui perdas de nutrientes por lixiviação e volatilização otimizando o uso do fertilizante, impede a proliferação de ervas daninhas tornando desnecessário o uso de herbicidas. Quando associado a um sistema de irrigação por gotejamento, diminui significativamente o volume de água, diminuindo o gasto com irrigação.
Pode-se utilizar diversos materiais inertes como cobertura morta. Quando houver disponibilidade deles na propriedade, substituem plenamente o plástico, como exemplos, cita-se: areia, acículas de pinus, casca de arroz, palha, casca de arroz carbonizada, etc.
Entretanto, a praticidade dos filmes plásticos deve ser considerada pelo seu melhor resultado.
Já se encontra no mercado "mulching" de dupla face, branco-preto, prata-preto e também, o preto-opaco. Em regiões de temperaturas mais elevadas deve-se utilizar os de dupla face dada as suas características refletivas. Em regiões frias, deve-se utilizar os filmes preto opaco, em razão de suas características de acumular e absorver calor.
Os filmes para cultivo do tomateiro devem possuir 30 micra de espessura e 0,8 m de largura. Os furos devem possuir um diâmetro de aproximadamente 5 cm e a distância entre os furos varia de acordo com o número das hastes deixadas e espaçamento. A sua durabilidade é de em geral, um ciclo, devendo ficar bem esticado após a instalação, sem bolsas de ar sob ele e com uma borda de 10 cm, enterrada de cada lado do canteiro.
8. Irrigação:
É fundamental no cultivo em estufas a utilização de irrigação por gotejamento ou por sulcos sendo recomendado o primeiro.
O tomateiro é exigente quanto a regularidade da irrigação por isso, é bom ter uma fonte constante e confiável de água de boa qualidade (química e sanitária). Caso não seja possível, pode-se construir um reservatório com lona, que tem um baixo custo e alta eficiência.
Atualmente existem tubos gotejadores extremamente baratos e práticos de se utilizar e instalar. Se o horticultor não dispõe desse sistema pode utilizar "tripa de irrigação" de baixo custo e fácil instalação também.
O sistema de gotejamento deve ser posicionado sobre os canteiros antes da colocação do mulching. No caso de se utilizar o sistema para fertirrigação, deve-se colocar o injetor de adubos antes do sistema de filtragem devendo utilizar apenas nutrientes próprios para esse fim. Filtros devem ser instalados após a captação de água de irrigação para evitar danos e entupimentos nos gotejadores.
Inicia-se a irrigação logo após o transplante para favorecer o pegamento das mudas.
O volume de água fornecido às plantas deve aumentar de acordo com o aumento de sua parte aérea sendo fundamental durante a formação dos frutos, impedindo sua maturação precoce.
9. Tratos culturais:
9.1. Transplantio:
O transplantio é feito quando as mudas apresentam condições fisiológicas e tamanho satisfatório, com cerca de 12 - 15 cm de altura, ou 4 a 6 folhas definitivas, não devendo estar estioladas.
Quando se utiliza cobertura morta com plástico, o transplantio é feito após instalação dessa, efetuando-se orifícios em "X" de 5 x 5 cm de diâmetro, com uma lâmina cortante, no espaçamento escolhido. Com um chucho, faz-se cavidades de 6 a 7 cm de profundidade e plantam-se as mudas das bandejas.
Quando se utiliza cobertura morta de algum material inerte como areia, casca de arroz, palha, serragem e outros, o plantio é feito antes da colocação da cobertura morta e, essa, deve ter uma camada de 2 a 3 cm de espessura.
O horário correto para transplantar as mudas é de manhã bem cedo, para não estressar a planta e aumentar o índice de pegamento. Entretanto, mudas oriundas de bandejas de isopor, podem ser transplantadas em qualquer horário.
Deve-se efetuar uma irrigação logo após o transplantio, sendo a fertirrigação iniciada após 5 dias do transplantio.
9.2. Amontoa:
Consiste em se chegar terra junto ao colo da planta. Explora-se dessa forma a grande capacidade do tomateiro em emitir raízes na região do colo e acima dele, aumentando significativamente seu sistema radicular e favorecendo uma maior produtividade.
A amontoa pode ou não ser feita, sendo mais difícil de ser aplicada com o uso de mulching plástico, mas plenamente aplicável quando se usa outro tipo de cobertura morta.
Deve-se prever sua utilização já no momento do transplantio, onde se aplica na lateral do camalhão e, à medida que a planta cresce, cobre-se a base da planta com terra, até o ponto em que se posicione na parte mais alta do camalhão.
9.3. Desponte:
Também chamada de "capação", nada mais é do que o corte da ponta da haste principal ou das hastes escolhidas, suprimindo o crescimento vertical do tomateiro quando ele atinge o arame superior do tutor.
Essa operação tem o efeito de favorecer o aumento do tamanho dos frutos já formados e, em especial, os situados no terço superior da planta. Vale frisar que isso induzirá a uma vigorosa brotação de gemas laterais exigindo desbrotas mais freqüentes.
No caso de variedades de crescimento determinado é desnecessário. Deve ser feita de manhã bem cedo ou de tardinha.
9.4. Desbrotas:
Corte sistemático e freqüente dos numerosos brotos laterais que vão se desenvolvendo nas axilas das folhas.
Normalmente essa operação é feita uma ou duas vezes por semana, eliminando os brotos assim que tiverem um tamanho que possibilite essa operação. Essa operação não deve ser retardada uma vez que, com isso, evita-se um consumo desnecessário de nutrientes, influindo na planta para uma maior produtividade.
Não se deve utilizar lâminas cortantes a não ser que sejam realmente necessárias, desinfetando-a em solução de hipoclorito de sódio a 5%.
Essa operação deve ser feita de manhã bem cedo ou no final da tarde, quando a temperatura no interior da estrutura estiver mais amena e as plantas mais túrgidas.
Os restos de plantas não devem ficar dentro das estufas para não servir de fonte de doenças para a cultura.
9.5. Raleamento dos frutos:
Essa operação tem como objetivo diminuir a competição por nutrientes entre os frutos da penca, visando o aumento de tamanho e peso desses, aproximando-os do tipo mais procurado pelo mercado consumidor.
Deve ser feita quando os frutos são ainda pequenos , aproximadamente do tamanho de uma "pitanga".
Nas três primeiras pencas deve-se deixar quatro frutos e nas posteriores apenas três, devemos escolher os mais bem formados, com bom tamanho e formato característico, sem danos causados por tratos culturais ou insetos, sem sintomas de doenças e sem vestígio de lóculo aberto, eliminando os frutos indesejados e flores que surgirem posteriormente.
9.6. Poda de folhas:
Operação não efetuada no cultivo convencional, mas fundamental no cultivo protegido, já que a transpiração associada a evaporação da água da irrigação, presente no solo, é responsável por grande parte da umidade relativa dentro da estufa. Reduzindo-se o n° de folhas, reduz-se também a superfície de perda de água e o período de saturação de água dentro dessa, aumentando dessa forma, a circulação de ar entre as plantas.
Essa operação deve ser feita de manhã bem cedo ou no final da tarde. Deve ser feita com os dedos, quebrando o pecíolo das folhas.
Retira-se as folhas mortas a qualquer tempo.
Retira-se folhas vivas que estão abaixo da penca colhida mas, somente após a sua colheita completa.
Aconselha-se retirar de duas a três folhas por semana para não estressar a planta. Também não se deve deixar essas folhas retiradas no interior da estufa.
9.7. Tutoramento:
O tutoramento tem como principal objetivo oferecer suporte para o desenvolvimento vertical de plantas que dada às suas características, ocorreria de forma rasteira. Essa prática melhora a qualidade fitossanitária dos frutos, facilita a colheita, aumenta a população de plantas por área e também, propicia uma ventilação mais eficiente e insolação mais uniforme.
O sistema mais eficiente e barato para o tutoramento do tomate em estufa é o feito com fio vertical. No caso de se adotar no momento da formação das plantas mais de uma haste por planta, o sistema exige um fio vertical para cada haste portanto, para duas hastes, dois fios verticais e assim sucessivamente. O sistema de tutoramento deve ser independente da estrutura da estufa.
Esse mesmo sistema pode ser utilizado para pepino, melão, vagem, tomate-cereja e abobrinha.
9.8. Poda de condução:
A poda de brotação ou condução é necessária quando se conduz o tomateiro com tutoramento e em condições de cultivo protegido, sendo um instrumento de determinação da arquitetura e nível de desenvolvimento vegetativo da sua parte aérea. Consiste em se condicionar a planta ao formato desejado através da eliminação sistemática das brotações que saem das axilas das folhas, possibilitando melhoria da qualidade dos frutos e, principalmente, o tamanho, facilitando também os tratos culturais.
O número de hastes na planta deve ser decidido antes do semeio nas bandejas, não devendo ser feito indiscriminadamente. Cada cultivar tem um número ideal de hastes, devendo o horticultor recorrer a empresa produtora da semente para obter as informações.
Cada tipo de condução com um número de hastes tem o seu espaçamento entre plantas que apresenta melhores resultados.
Alternativa para espaçamento entre plantas (m)Haste única0,250,300,35Duas hastes0,300,350,40Três hastes0,400,500,60Se a região possui pouca insolação é aconselhável o uso dos espaçamentos entre linhas de cultivo entre 1,00 e 1,10 m.
9.8.1. Haste única:
Consiste em se eliminar todas as brotações laterais à medida em que surgem na planta, deixando apenas a gema terminal. À medida em que se efetua a desbrota, conduz-se o tomateiro enrolando-o no fitilho vertical.
9.8.2. Duas hastes:
Consiste em deixar desenvolver a primeira brotação emitida pela planta. Ela deverá apresentar um aspecto de forquilha, por isso, é importante eliminar todas as brotações que surgirem depois nas hastes.
9.8.3. Três hastes:
O tomateiro deverá se desenvolver em princípio como a condução em duas hastes e posteriormente, deixar mais um broto se desenvolver numa dessas hastes. A partir disso, então, eliminar todas as emissões seguintes que surgirem nessas três hastes.
10. Tratos fitossanitários:
10.1. Pulverizações:
O controle químico de doenças tem sido o método mais utilizado por plasticultores principalmente, dado ao seu imediatismo e facilidade de aplicação.
Deve-se ter cuidado com a dosagem adotada na mistura dos defensivos pois, às vezes, as dosagens in
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